México e EUA iniciam negociações para revisar T-MEC
México e Estados Unidos iniciaram, nesta quarta-feira (27), as negociações formais para revisar o tratado de livre comércio da América do Norte (T-MEC), em meio às pressões tarifárias do governo de Donald Trump.
Em princípio, segundo o texto fundador do acordo do qual o Canadá também participa, a revisão tripartite deveria ser concluída em 1º de julho, mas as equipes americana e mexicana manterão negociações até o dia 20 do mesmo mês.
O T-MEC deve ser revisado a cada seis anos. O acordo é vital para a economia mexicana, que tem os Estados Unidos como principal parceiro comercial e destino de mais de 80% de suas exportações.
Marcelo Ebrard, secretário de Economia do México, disse em entrevista coletiva que “os ânimos são muito bons” para a negociação e que o fato de já existir um calendário demonstra a importância que os Estados Unidos dão ao processo.
Esta primeira rodada de negociações se estenderá até sexta-feira. A segunda será realizada nos dias 16 e 17 de junho em Washington e a última, em 20 de julho na Cidade do México.
O escritório comercial dos Estados Unidos detalhou que sua delegação será chefiada, a partir de quinta-feira, pelo representante comercial adjunto Jeff Goettman.
Ebrard, em resposta a pergunta direta da imprensa, disse que o México insistirá na eliminação das tarifas nos setores automotivo e de aço, vitais para as exportações mexicanas.
“Em uma abordagem sistêmica, não deveria haver tarifas entre nós. Para nós seria muito importante conseguir isso”, afirmou o secretário.
O presidente americano, Donald Trump, impôs uma tarifa generalizada de 50% sobre aço, alumínio e cobre, que deve ser paga inclusive por seus parceiros comerciais.
A indústria automotiva mexicana, uma das mais beneficiadas pelo T-MEC, foi submetida a uma revisão exaustiva para determinar quais peças, em função de sua origem, devem pagar a tarifa de 25% imposta por Washington.
– Otimismo –
O acordo entre os três países será revisado este ano pela primeira vez desde que entrou em vigor em 2020.
A Secretaria da Economia do México informou em comunicado que as partes buscarão “identificar resultados concretos em benefício da região”.
“México e Estados Unidos reafirmaram seu compromisso de continuar fortalecendo a cooperação bilateral em favor de uma América do Norte mais integrada, dinâmica e robusta”, acrescentou o texto.
Questionada sobre o processo durante sua coletiva de imprensa matinal, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, expressou otimismo quanto à possibilidade de um acordo. “Será um diálogo muito bom”, disse.
No entanto, Trump afirmou diversas vezes que o T-MEC não beneficiou a economia americana e chegou a ameaçar retirar seu país do pacto.
– Tensões –
Essas negociações ocorrem em meio a tensões com os Estados Unidos em matéria de segurança.
Por um lado, a Justiça dos EUA solicitou a extradição de dez políticos do partido governista no final de abril, incluindo Rubén Rocha Moya, ex-governador do estado de Sinaloa, a quem acusam de ter vínculos com a organização criminosa de Joaquín “El Chapo” Guzmán.
O pedido está sendo analisado pela Procuradoria-Geral do México, enquanto Sheinbaum exige provas conclusivas das autoridades americanas.
Uma segunda frente envolve as denúncias do México a Washington sobre a participação de agentes da CIA em operações antidrogas com autoridades no estado de Chihuahua, no norte do país, um caso que veio à tona após um acidente em 19 de abril, no qual dois deles morreram.
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