O maior banco da Suíça terá de reservar mais dinheiro para fazer face a crises
Três anos após a queda do Credit Suisse, a Suíça apertou o cerco ao UBS. O Senado aprovou exigências mais duras de capital para o banco, numa tentativa de evitar que o país volte a enfrentar uma crise financeira de grande escala.
O que o Senado suíço decidiu hoje?
O UBS terá de aumentar significativamente seu nível de capitalização. O banco será obrigado a respaldar suas subsidiárias no exterior com 90% de capital principal.
A decisão foi tomada após meses de negociações e disputas políticas. A proposta foi aprovada por 29 votos a favor e 16 contra.
O que isso significa?
Para o UBS, a medida representa uma duplicação de sua reserva de capital. Atualmente, as subsidiárias estrangeiras do banco estão sujeitas a uma exigência de 45% de capital principal.
A instituição terá diferentes opções para cumprir a nova regra. Entre elas estão a emissão de novas ações, a retenção de uma parcela maior dos lucros e a redução do tamanho de algumas subsidiárias.
Quem sai ganhando com esse resultado?
A ministra da Fazenda, Karin Keller-Sutter, provavelmente está bastante satisfeita, embora a proposta mais rigorosa do governo não tenha sido aprovada. Mas a proposta alternativa, significativamente mais branda, recomendada pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, também não foi aprovada.
Antes da votação, Keller-Sutter disse ao Senado: “Não devemos repetir os erros cometidos na esteira da crise financeira de 2008.”
Ela já havia descrito sua própria proposta de índice de capital de 100% como um compromisso. No entanto, também pediu que os senadores apoiassem a proposta de 90% “se necessário”.
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O que o UBS tem a dizer sobre isso?
Para o banco, a decisão representa uma derrota. Em comunicado, o banco afirmou: “Esse desfecho político não é um acordo e não aborda as causas fundamentais do colapso do Credit Suisse”.
O comunicado também destaca que o banco teria de manter cerca de US$ 15 bilhões em capital duro adicional caso a proposta fosse implementada.
O CEO do banco, Sergio Ermotti, vinha pessoalmente fazendo campanha contra a proposta do governo há meses. Mais recentemente, na terça-feira — no mesmo Fórum Suíço de Finanças em que Keller-Sutter participou —, ele afirmou que as regulamentações atuais já eram suficientemente rigorosas.
Ele também apelou para as emoções das pessoas: “Não somos apenas um risco para a Suíça. É desrespeitoso falar de nós dessa maneira”.
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O banco passa a ter um problema financeiro?
Não. O UBS teria condições de reforçar seu capital. O banco registrou lucro de US$ 7,8 bilhões no ano passado e de mais US$ 5,8 bilhões no primeiro semestre de 2026. Se decidir reter os lucros e suspender o pagamento de dividendos, poderá atingir o nível exigido de capital em um prazo relativamente curto.
As preocupações do banco estão muito mais relacionadas à sua competitividade. O UBS teme perder atratividade junto aos acionistas.
O que acontece agora?
Após a decisão do Senado, o projeto será analisado pela Câmara dos Deputados. Isso não deve ocorrer antes de dezembro.
Também poderá haver um referendo sobre a questão.
Assim, pode levar de alguns meses a vários anos até que o UBS seja efetivamente obrigado a cumprir as novas exigências.
O Senado debateu três opções: cobertura de 100% das subsidiárias estrangeiras do UBS com capital básico, cobertura de 90% ou uma opção 50/50.
No terceiro caso, metade do capital teria sido coberto por títulos AT1. Esses títulos podem ser convertidos em capital social ou até mesmo baixados em caso de crise, acima de limites definidos, para estabilizar o banco.
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Adaptação: Fernando Hirschy
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