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OMS considera ‘baixo’ o risco de propagação do hantavírus após surto em navio de cruzeiro

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O suposto surto de hantavírus em um navio de cruzeiro holandês, no qual três pessoas morreram, apresenta um risco “baixo” de propagação, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (4), mas os passageiros não foram autorizados a desembarcar em Cabo Verde.

Os hantavírus, transmitidos principalmente aos humanos por roedores infectados, podem causar problemas respiratórios e cardíacos, além de febres hemorrágicas. 

Na manhã desta segunda-feira, um fotógrafo da AFP flagrou o navio MV Hondius, que fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, ancorado no porto de Praia, capital deste arquipélago da África ocidental. 

A operadora de turismo Oceanwide Expeditions confirmou que enfrenta uma “situação médica grave” a bordo do MV Hondius. 

A empresa confirmou as três mortes, duas a bordo do navio de cruzeiro e uma após o desembarque. Duas vítimas eram holandesas e a nacionalidade da terceira é desconhecida, segundo a imprensa dos Países Baixos.

No entanto, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, transmitiu uma mensagem tranquilizadora.

 

– “Não há motivo para pânico” –

“O risco para a população em geral permanece baixo. Não há motivo para pânico ou para impor restrições de viagem”, observou ele. 

O diretor enfatizou que as infecções por hantavírus são raras e “não são facilmente transmitidas entre pessoas”. 

Os hantavírus são transmitidos aos humanos por meio de roedores selvagens infectados, como ratos ou camundongos, que eliminam o vírus pela saliva, urina e fezes. Uma mordida, o contato com esses animais ou seus excrementos, assim como a inalação de poeira contaminada, podem causar a infecção. 

A OMS colabora com os países afetados no atendimento médico, evacuação e investigações, informou Kluge. 

Segundo a operadora de turismo, um passageiro está na UTI em Joanesburgo e outros dois “precisam de atendimento médico urgente”. 

Um paciente britânico foi atendido na África do Sul, confirmou a OMS.

 

– Sem autorização para desembarque –

Segundo a Oceanwide Expeditions, as autoridades holandesas tentam repatriar “as duas pessoas que apresentam sintomas e que estão a bordo do MV Hondius”.

O Ministério das Relações Exteriores holandês confirmou à AFP que está “considerando” essa possibilidade. 

Médicos locais embarcaram para avaliar a saúde dos dois passageiros doentes, mas a autorização para levá-los à terra firme ainda não foi concedida. 

“O navio não recebeu autorização para atracar no porto da Praia” para “proteger a população cabo-verdiana”, declarou a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, à Rádio de Cabo Verde na noite de domingo. 

O hantavírus foi confirmado no passageiro que está em terapia intensiva em Joanesburgo, informou a operadora. Ainda não se sabe se o vírus causou as três mortes ou os sintomas dos outros dois passageiros doentes.

A OMS indicou no domingo que um caso de infecção por hantavírus foi confirmado e que existem “outros cinco casos suspeitos”. 

Sem vacinas ou medicamentos específicos disponíveis contra o hantavírus, os tratamentos atuais se limitam ao alívio dos sintomas. 

Aproximadamente 200 casos de síndrome pulmonar por hantavírus ocorrem a cada ano, principalmente nas Américas do Norte e do Sul, segundo o sistema público de saúde do Canadá.

 

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