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Policiais e militares desbloqueiam em La Paz rota crítica para passagem de alimentos

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Policiais e militares desbloquearam nesta sexta-feira (5) uma rota vital para o abastecimento de alimentos às cidades de La Paz e sua vizinha El Alto, sufocadas por mais de um mês de protestos sociais que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz.

O mandatário de centro-direita, no poder há seis meses, se prepara para declarar estado de exceção que lhe permita ampliar o uso da força militar para remover os bloqueios mantidos por camponeses e operários em várias regiões do país.

Enquanto aguarda que o Parlamento o autorize a adotar essa medida, policiais, apoiados por um grupo de militares, retiraram nesta manhã escombros, pedaços de madeira e pedras que bloqueavam uma via estratégica ao sul de La Paz para permitir a passagem de alimentos, constataram jornalistas da AFP.

Antes dessa operação, centenas de pessoas tiveram de caminhar vários quilômetros para se abastecer de verduras e outros alimentos devido ao bloqueio dessa estrada que liga La Paz às comunidades agrícolas de Lipari e Río Abajo.

Paz deslocou-se até o local após a operação, conduzida em campo pelo próprio ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, e reiterou, em declarações à imprensa, seu apelo à “não confrontação, mas ao diálogo”.

As cidades de La Paz e El Alto e, em menor medida, Cochabamba (centro), Oruro (oeste) e Potosí (sudoeste) enfrentam escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis devido aos quase cem bloqueios espalhados pelo país.

Paz voltou a responsabilizar o ex-presidente de esquerda Evo Morales (2006-2019) por incentivar os protestos e o acusou de utilizar “dinheiro ilícito” proveniente da “produção do narcotráfico no Chapare”, seu reduto cocaleiro e bastião político no centro do país.

“Está usando o povo como escada para se defender de seus problemas judiciais”, disse Paz, referindo-se ao mandado de prisão contra Morales por uma acusação de suposto tráfico de uma menor, acusação que ele nega.

Na quinta-feira, os Estados Unidos reiteraram seu apoio ao governo de Paz.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou na rede X que os Estados Unidos acompanham de perto a situação. “A Bolívia não deve permitir que o antigo status quo de domínio narco-terrorista na região volte a se impor.”

Morales, crítico ferrenho de Washington, afirmou nesta sexta-feira na rede X que os Estados Unidos “recorrem novamente ao discurso do ‘narcoterrorismo’ para estigmatizar o protesto social e desacreditar as demandas legítimas” dos setores sociais.

Camponeses, operários, mineiros, transportadores e professores que pressionam Paz há mais de um mês inicialmente pediam uma saída para a pior crise econômica do país em quatro décadas; agora, porém, exigem sua renúncia.

jac/mis/mvl/am

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