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Rosetta faz descoberta surpreendente de oxigênio no cometa 67P (estudo)

This handout picture captured and released by European space probe Rosetta’s Navcam camera on August 13, 2015 by the European Space Agency (ESA) shows Comet 67P/Churyumov–Gerasimenko just one hour before the comet reached perihelion – the closest point to the Sun along its 6.5-year orbit. The image was taken around 327 km from the comet. AFP PHOTO / ESA / Rosetta / NAVCAM -- RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO / ESA/Rosetta/NAVCAM" - NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS -- afp_tickers

A sonda espacial Rosetta encontrou oxigênio molecular (O2) entre os gases que cercam o cometa 67P, uma descoberta importante para compreender a origem do Sistema Solar, segundo estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature.

Trata-se da primeira observação de oxigênio da cauda (cabeleira) de um cometa, composta principalmente de vapor d’água, monóxido e dióxido de carbono.

“Foi muito surpreendente”, disse André Bieler, pesquisador da Universidade de Michigan e autor do estudo. “Não esperávamos mesmo encontrar oxigênio”.

Apesar de já ter sido detectado em outros corpos celestes que contêm gelo – como, por exemplo, as luas de Júpiter e Saturno – até o momento era desconhecida a presença de oxigênio num cometa, embora agora acredite-se que possa ser algo comum.

Foi detectado pelo espectrômetro de massa da sonda Rosetta, que está acompanhando o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em sua viagem ao redor do Sol.

As medições levadas a cabo mostram uma quantidade de O2 de 3,8% em relação à quantidade de água (H2O) presente. A análise desta razão indica que o oxigênio e a água presente no cometa têm a mesma origem.

Isto sugere que o O2, presente na nuvem molecular que originou o sistema solar, fi incorporado ao núcleo do cometa durante a formação do corpo celeste.

Oxigênio primordial

“Pensamos que trata-se de oxigênio primordial”, quer dizer, proveniente da nuvem molecular original, informou Bieler.

De acordo com o astrônomo, parece que a maior parte do material a partir da nuvem molecular sobreviveu inalterada para a formação subsequente do sistema solar 5 bilhões de anos atrás.

Rosetta vai continuar a monitorar a presença de oxigênio para tentar entender o que isso significa, bem como as transformações no cometa 67P depois de passar em 13 de agosto pelo periélio, o ponto mais próximo em sua órbita elíptica ao Sol.

Com seus 11 instrumentos, Rosetta faz órbitas irregulares ao redor do cometa, atualmente a 270 milhões de quilômetros da Terra, com o qual se comunica através de ondas de rádio.

Em vez disso, o robô-laboratório Philae, empoleirado há quase um ano sobre o cometa, não mostrou nenhum sinal de vida desde 9 de julho.

Suas baterias são carregadas com dificuldade porque está em uma área montanhosa com pouca exposição à luz solar.

As aventuras da sonda não acabaram. A Europa continuará a missão até setembro de 2016 e considera a possibilidade de “pousá-la” o mais suavemente possível sobre o corpo celeste para encerrar sua aventura científica com esse encontro no espaço.

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