
SpaceX lança megafoguete Starship após explosões em testes anteriores

O megafoguete Starship, da empresa americana SpaceX, decolou na terça-feira (26), em seu décimo voo de teste, após uma série de problemas técnicos colocarem em dúvida a sua viabilidade.
O maior foguete já construído, de mais de 120 metros, decolou de sua base, no estado americano do Texas, logo após as 18h30 locais (20h30 de Brasília). Seu estágio superior amerissou com sucesso no Oceano Índico cerca de uma hora depois, após cumprir seus principais objetivos, segundo a transmissão de vídeo da empresa, do milionário Elon Musk.
“Amerissagem confirmada! Parabéns a toda a equipe da SpaceX por um décimo voo de teste emocionante!”, publicou a empresa no X.
Poucos minutos após o lançamento, o propulsor do primeiro estágio amerissou no Golfo do México.
Ao contrário de outros testes, a SpaceX não tentou capturar o Starship na torre de lançamento, e sim testar seu rendimento.
A atenção estava concentrada na etapa superior destinada a transportar tripulação e carga, assim como em sua capacidade enquanto sobe ao espaço.
Pela primeira vez, a SpaceX conseguiu lançar com sucesso oito satélites de internet Starlink de teste, com câmeras a bordo que transmitiam imagens ao vivo de um mecanismo robótico que os impulsionava um por um.
Nem tudo foi perfeito. Algumas placas térmicas se desprenderam e uma pequena seção do foguete queimou durante a intensa descida da nave.
O gerente de comunicações da SpaceX, Dan Huot, afirmou que grande parte do incidente era previsível e que o veículo voou intencionalmente em uma trajetória desafiadora, com algumas placas removidas.
“Estamos sendo um pouco cruéis com esta nave espacial”, disse na transmissão. “Na verdade, estamos tentando testá-la e explorar seus pontos fracos”, acrescentou.
“Ótimo trabalho da equipe da SpaceX!” comemorou Musk no X.
– Missão chave –
O voo aconteceu após ser adiado no domingo e na segunda-feira, devido a um problema técnico e às condições meteorológicas. No começo do ano, as tentativas anteriores de lançamento terminaram em explosões em pleno ar.
A sucessão de contratempos, à qual se somou em junho uma explosão durante um teste em solo, gerou dúvidas sobre a viabilidade do Starship, enquanto Musk mantém seu objetivo de realizar em 2026 os primeiros lançamentos a Marte.
O megafoguete ainda “não se mostrou confiável”, avaliou o especialista Dallas Kasaboski, da consultoria Analysys Mason. “Os sucessos não superaram os fracassos”, observou, ressaltando que o novo voo de teste colocava a empresa de Musk “sob forte pressão”.
– Desafios técnicos –
Famoso por seus projetos mirabolantes e previsões excessivamente otimistas, Musk revolucionou o setor espacial com seu sistema de produção de foguetes reutilizáveis, que domina hoje o mercado de lançamentos comerciais. Com o Starship, pensado para realizar viagens interplanetárias, a empresa de Musk pretende ir ainda mais longe e realizar seu sonho de colonizar Marte.
Versões modificadas do Starship devem servir ao programa Artemis, da Nasa, que prevê o retorno de astronautas americanos à Lua, assim como voos de longa distância na Terra, com os quais a SpaceX promete que seus clientes vão chegar “a qualquer lugar do mundo em até uma hora”.
Antes de realizar voos tripulados ou de chegar ao satélite natural da Terra e ao Planeta Vermelho, no entanto, o Starship terá que superar “milhares de desafios técnicos”, reconheceu Musk ontem no Texas, ao mesmo tempo que se declarou confiante.
Embora a SpaceX já consiga recuperar o primeiro estágio do megafoguete, que propulsiona todo o conjunto em uma manobra espetacular, o mesmo ainda não acontece com a extremidade superior, que também deseja reutilizar.
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