Trump afirma que ainda não está satisfeito com acordo com o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (27) que ainda não estava satisfeito com as propostas do Irã para alcançar um acordo, depois que a televisão estatal iraniana divulgou detalhes do que afirmou ser um rascunho do pacto.
Falando durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, Trump acrescentou que não tinha pressa para chegar a um acordo, apesar de ter dito no fim de semana que ele estava próximo.
“O Irã está empenhado, eles querem muito chegar a um acordo. Até agora não conseguiram. Ainda não estamos satisfeitos com isso, mas estaremos”, disse Trump.
“Ou isso, ou simplesmente teremos que terminar o trabalho”, afirmou, em referência às ameaças de retomar as operações militares que Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro e suspenderam em abril.
A televisão estatal iraniana havia afirmado anteriormente que um rascunho de memorando de entendimento com Washington incluía um compromisso de suspender o bloqueio naval ao Irã, restabelecer o tráfego no Estreito de Ormuz e retirar as forças americanas do Golfo. A Casa Branca classificou a informação como “total invenção”.
Trump insistiu que não tinha pressa para alcançar um acordo, apesar de a guerra com o Irã estar elevando o custo de vida para os americanos antes das eleições de meio de mandato de novembro.
O republicano tem índices de aprovação historicamente baixos a menos de seis meses da votação que determinará se seu partido manterá o controle do Congresso.
“Eles pensaram que iam me fazer esperar, sabe, ‘vamos aguentar firme, ele tem as eleições de meio de mandato'”, disse Trump, referindo-se ao Irã.
“Não me importam as eleições de meio de mandato”, acrescentou.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, sentado ao lado de Trump, disse que houve “certos avanços” nas negociações com o Irã.
“Veremos nas próximas horas e dias se é possível avançar”, afirmou Rubio.
Trump não respondeu diretamente à reportagem da televisão estatal iraniana sobre um rascunho de acordo.
Ele disse que “ninguém”, incluindo o Irã, controlaria o Estreito de Ormuz e rejeitou as informações de que Teerã e o sultanato de Omã poderiam controlar um sistema de pedágio para a rota marítima.
O presidente americano, que completará 80 anos no próximo mês, chegou inclusive a afirmar que “Omã vai se comportar como todos os outros ou teremos que explodi-los”, em um comentário aparentemente direcionado ao Irã.
Trump sugeriu depois que um acordo com o Irã poderia depender da disposição da Arábia Saudita e de outros países de maioria muçulmana para assinar os Acordos de Abraão e normalizar relações com Israel.
“Não tenho certeza de que deveríamos fazer o acordo se eles não assinarem”, disse Trump.
O presidente revelou que não se sentiria confortável se Rússia ou China levassem o urânio enriquecido iraniano para destruí-lo, outra solução que vem sendo cogitada.
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