Trump surpreende com anúncio de “cessar-fogo energético” entre Rússia e Ucrânia
Donald Trump semeou confusão neste domingo (11) ao anunciar um “cessar-fogo energético” entre a Ucrânia e a Rússia, o que causou perplexidade em Kiev e silêncio em Moscou, enquanto Londres, Paris e Ottawa disseram apoiar esse “apelo” do presidente dos Estados Unidos.
A Rússia, que iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, intensificou os ataques contra infraestruturas energéticas ucranianas nos últimos meses, enquanto Kiev mira as refinarias de petróleo russas.
“Com efeito imediato, há um CESSAR-FOGO ENERGÉTICO na guerra entre Rússia e Ucrânia. As partes concordaram. Não o quebrem!”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, aparentemente surpreendido pelo anúncio, declarou ao site americano Axios que desconhecia qualquer acordo nesse sentido, enquanto Moscou ainda não havia se manifestado até o momento.
“O anúncio da trégua foi novidade para mim”, afirmou ele, embora tenha se mostrado disposto a aceitá-la caso a Rússia faça o mesmo.
“Estamos aguardando detalhes claros sobre o diálogo entre os Estados Unidos e a Rússia. E que [o presidente russo Vladimir] Putin faça o que o presidente Trump disse”, acrescentou em seu pronunciamento diário.
– Ataques continuam –
Segundo Zelensky, os ataques russos continuaram neste domingo “com a mesma intensidade”, apesar do anúncio de Trump.
“Os russos bombardearam uma instalação energética em Kiev”, escreveu nas redes sociais. Ele acrescentou que também foram registrados ataques contra outras infraestruturas energéticas na região oriental de Kharkiv.
“E tudo isso aconteceu DEPOIS de o presidente dos Estados Unidos fazer seu comunicado sobre um cessar-fogo energético”, ressaltou.
Amplos cortes de energia afetaram neste domingo diversos bairros da capital ucraniana e, na segunda-feira, haverá restrições no fornecimento de eletricidade em várias regiões do país devido aos ataques russos, anunciou a operadora nacional Ukrenergo.
Três pessoas morreram em ataques russos na região de Kharkiv, segundo o governo regional.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que Paris apoia “sem reservas o apelo por uma verdadeira trégua energética”.
Mas, segundo ele, “a Rússia continua rejeitando essa possibilidade, intensificando inclusive, nas últimas horas, seus ataques contra as infraestruturas ucranianas”.
Por sua vez, o primeiro‑ministro britânico, Andy Burnham, afirmou neste domingo que seu país respalda um “cessar-fogo energético” duradouro no conflito entre Kiev e Moscou.
Também o primeiro‑ministro do Canadá, Mark Carney, disse ter expressado seu firme apoio a uma “trégua energética” durante uma ligação com Trump. Além disso, reiterou o pedido de Zelensky para que “cessem imediatamente todos os ataques contra a infraestrutura energética e os civis” por parte da Rússia.
– “Nós, os ucranianos, decidimos nosso destino” –
Os ataques ucranianos contra as refinarias russas, que Kiev classifica como represálias justas diante dos bombardeios de Moscou, irritaram Trump, que na sexta anunciou a compra de diesel russo, acompanhado de uma flexibilização das sanções americanas contra a Rússia.
Sete senadores dos Estados Unidos questionaram neste domingo a legalidade do acordo entre Washington e Moscou sobre o fornecimento desse combustível.
“O Congresso proibiu explicitamente as importações de energia russa em 2022”, diz o comunicado conjunto dos senadores.
Após o aumento dos preços dos combustíveis nos EUA desde o início da guerra contra o Irã em fevereiro, o acordo sobre o diesel russo é visto como uma forma de aliviar os consumidores americanos antes das eleições legislativas de novembro, nas quais o Partido Republicano de Trump corre o risco de perder o controle do Congresso.
Trump voltou a atacar neste sábado seu par ucraniano e lhe cobrou a realização de eleições, algo impossível na situação atual, dado que vigora a lei marcial.
“Antes de mais nada, com todo respeito ao presidente Trump, cabe à nossa sociedade, ao nosso povo, escolher um ou outro líder”, respondeu Zelensky em uma entrevista exibida neste domingo pelo canal ABC.
Zelensky afirmou em várias ocasiões que a Ucrânia poderia organizar eleições em caso de um cessar-fogo de longa duração com Moscou.
“Digam a Putin que nos conceda dois meses, 60 dias de cessar-fogo total, 60 dias, e organizaremos eleições”, declarou neste domingo ao canal ABC.
A Rússia rejeitou em várias ocasiões a ideia, com o argumento de que uma longa pausa permitiria um fortalecimento do Exército ucraniano.
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