Brasil reduz desmatamento, enquanto África perde mais floresta
O desmatamento global caiu 15% em 2025, para sete milhões de hectares, mas o ritmo de redução continua muito abaixo do necessário para cumprir a promessa de acabar com a derrubada em larga escala até 2030. Esta e outras notícias na revista de imprensa da semana.
Dessa vez eu descobri que, enquanto Brasil e Colômbia registram avanços, a perda de florestas aumenta na África tropical devido especialmente à pobreza, conflitos e falta de fiscalização. Enquanto isso, dois suíços fazem uma aventura espetacular no Brasil: 470 quilômetros voando com um parapente, uma espécie de paraquedas com uma estrutura flexível.
E outro tema é…e continua sendo…o Mercosur. Será que a Suíça conseguirá costurar esse acordo de livre-comércio? Leia o artigo abaixo para entender mais sobre o assunto. E no final desta página, você encontra também o texto de Alexander Busch, que conhece como ninguém o Brasil: nele, o correspondente alemão discute sobre as mídias sociais e sua influência na política do país.
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Menos desmatamento, mas ainda muito acima do aceitável
Em artigo publicado no Neue Zürcher Zeitung (NZZ), o mais prestigioso jornal da Suíça, a jornalista Kevin Weber aborda um tema de grande interesse para o público europeu: o futuro das florestas tropicais, especialmente da Amazônia.
A reportagem mostra que, apesar do compromisso assumido por mais de cem países de acabar com o desmatamento em grande escala até 2030, o mundo ainda está longe de alcançar essa meta.
Segundo um relatório internacional sobre a proteção das florestas, cerca de sete milhões de hectares foram desmatados em 2025, uma redução de 15% em relação ao ano anterior. Embora represente um avanço, o resultado é insuficiente para cumprir os compromissos climáticos.
A situação é particularmente preocupante na África tropical, onde o desmatamento já alcança níveis semelhantes aos registrados na América Latina, especialmente devido à expansão agrícola, à pobreza e à fragilidade das instituições ambientais.
Na América Latina, por outro lado, há sinais positivos. O Brasil, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, conseguiu reduzir significativamente o desmatamento, graças ao reforço da fiscalização, à aplicação de multas e à retomada de políticas de proteção ambiental. A Colômbia também apresentou avanços, enquanto a Bacia do Congo continua enfrentando dificuldades crescentes para preservar suas florestas.
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Brasil investiga disparada de incêndios ‘criminosos’ na Amazônia
A reportagem destaca que o futuro da Amazônia depende, em grande medida, das decisões políticas tomadas em Brasília. Com o desmatamento na Amazônia brasileira recentemente reduzido ao menor nível em uma década, a continuidade dessa tendência dependerá das prioridades do próximo governo.
Para a Europa e a comunidade internacional, o Brasil permanece, portanto, como um ator decisivo na preservação da maior floresta tropical do planeta e no combate às mudanças climáticas.
No Brasil em busca de recordes
Em reportagem publicada no jornal La Liberté, da Suíça francófona, o jornalista Jonas Ruffieux conta as aventuras de dois suíços apaixonados pelo parapente, Bruno Liard e Gaëtan Gerber, que viajaram ao Nordeste do Brasil em busca de voos de longa distância.
Durante quase um mês, os dois amigos, naturais da região de Friburgo, enfrentaram os ventos e as correntes térmicas do Sertão brasileiro, considerado um dos melhores lugares do mundo para a prática dessa modalidade esportiva.
O grande destaque da expedição foi Bruno Liard, de 28 anos, que conseguiu percorrer impressionantes 470 quilômetros em um único voo, realizado em 6 de outubro. Durante nove horas e meia, o suíço sobrevoou as vastas planícies nordestinas, enfrentando momentos de tensão e condições meteorológicas desafiadoras. Embora distante do recorde mundial de 610 quilômetros, seu desempenho representa uma conquista extraordinária.
Para Gaëtan Gerber, de 30 anos, a aventura teve um sabor mais amargo. Apesar de alcançar a respeitável distância de 266 quilômetros em um único voo, ele precisou ser hospitalizado duas vezes: primeiro por uma grave infecção intestinal e, depois, por um acidente durante a decolagem, provocado por uma forte rajada de vento. O episódio encerrou antecipadamente sua participação na expedição.
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Pesquisador suíço navega os “rios voadores” do Brasil
A reportagem também revela a forte amizade entre os dois esportistas e sua paixão pela liberdade de voar. Depois de experiências na Colômbia e no Brasil, eles já imaginam novas aventuras, possivelmente no Himalaia, na Índia. Entre conquistas, riscos e imprevistos, a viagem ao Brasil se transformou em uma história de amizade, superação e espírito aventureiro, apresentada aos leitores suíços pelo jornal La Liberté.
O acordo com o Mercosul é contestado
Em reportagem publicada no Le Temps, o mais prestigioso jornal da Suíça francófona, é destacada a controvérsia em torno do acordo de livre comércio entre a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), da qual a Suíça faz parte, e o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O tratado enfrenta resistência de partidos de esquerda, ambientalistas e organizações da sociedade civil suíça. O Partido Socialista, o Partido Verde e cerca de vinte entidades lançaram uma iniciativa de referendo para submeter o acordo à votação popular.
Os opositores denunciam a falta de garantias ambientais e sociais, sobretudo diante dos riscos de desmatamento na Amazônia. Também temem que a entrada de carne bovina, soja e vinho sul-americanos prejudique os produtores suíços.
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Mercosul-EFTA: Quem se beneficiará mais com o acordo?
Em contrapartida, especialistas destacam os benefícios econômicos do acordo. Cédric Dupont, professor em Genebra, considera que a Suíça obteve condições favoráveis nas negociações e defende que o diálogo comercial pode contribuir para melhorar os padrões ambientais e sociais, sem impor exigências vistas como paternalistas pelo Brasil.
A reportagem evidencia o dilema entre abertura comercial e proteção ambiental. A possibilidade de um referendo coloca em discussão os interesses econômicos suíços e a preservação da Amazônia, tema de grande interesse na Europa.
Brasil é o laboratório do futuro
Em artigo publicado no NZZ, o correspondente no Brasil, Alexander Busch, analisa como as redes sociais estão revolucionando a política brasileira, especialmente nas eleições presidenciais de 2026.
A reportagem mostra que plataformas como Instagram e TikTok se tornaram ferramentas decisivas para conquistar eleitores, construir lideranças e influenciar os resultados eleitorais.
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Mídias sociais propagam desinformação e populismo na Suíça e nos EUA
Um exemplo é Eduarda Campopiano, jovem política conservadora que conquistou milhões de seguidores com vídeos provocativos e se tornou a deputada estadual mais votada do Brasil. Outro destaque é Nikolas Ferreira, que reúne mais de 22 milhões de seguidores no Instagram e alcançou votação recorde. Ambos demonstram como a popularidade digital pode ser convertida em capital político.
Segundo a reportagem, a direita ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro domina amplamente o ambiente digital brasileiro. Os candidatos do Partido Liberal (PL) acumulam cerca de 110 milhões de seguidores no Instagram, contra aproximadamente 30 milhões dos candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT). Essa vantagem contribuiu para fortalecer a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, que disputa a eleição contra Luiz Inácio Lula da Silva.
O artigo destaca também as diferenças nas estratégias digitais. Enquanto o PL investiu na formação de políticos para produzir conteúdos curtos, provocativos e atraentes, o PT enfrentou resistências internas e privilegiou a publicidade paga. Apesar disso, jovens lideranças de esquerda demonstram que também é possível conquistar grande influência política por meio das plataformas digitais.
Para Alexander Busch, o Brasil se tornou um exemplo de como as redes sociais estão transformando as campanhas eleitorais e o próprio funcionamento da democracia. A disputa presidencial de 2026 evidencia que a capacidade de mobilizar seguidores, produzir conteúdos virais e transformar visibilidade digital em votos passou a ser um fator central na competição pelo poder.
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Publicaremos nossa próxima revista da imprensa suíça em 23 de outubro. Enquanto isso, tenha um bom fim de semana e boa leitura!
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