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Rebelião nas eleições de meio de mandato, temores sobre a IA e a moralidade da pena de morte

Trump cumprimenta os participantes à chegada para discursar no primeiro dia da Convenção Nacional Republicana de Meio de Mandato, no American Airlines Center, em Dallas
Trump cumprimenta os participantes à chegada para discursar no primeiro dia da Convenção Nacional Republicana de Meio de Mandato, no American Airlines Center, em Dallas. Keystone/Swissinfo

Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa suíça sobre os principais acontecimentos ocorridos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras abordamos três temas da atualidade norte-americana.

Enquanto republicanos parecem perder a confiança em seu presidente, os Estados Unidos despertam preocupações globais com a inteligência artificial e com a moralidade das execuções.

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Apoiantes republicanos
É possível que alguns republicanos estejam a ter dúvidas em relação ao seu presidente. 2026 Getty Images

É comum ver os Estados Unidos mergulhados em uma “frenesi política” durante as eleições de meio de mandato. “Mas o caos é particularmente intenso neste ano, acompanhado por manobras sem precedentes do presidente em exercício”, afirma o jornal suíço Le Temps.

Falta menos de um mês para a votação, e o Partido Republicano parece prestes a perder sua maioria na Câmara dos Representantes e, possivelmente, também no Senado.

Pressionados pela alta dos preços dos combustíveis e por uma guerra prolongada no Oriente Médio, até mesmo eleitores republicanos mais fiéis parecem estar perdendo a confiança no presidente Donald Trump, afirma o jornal.

“Republicanos em alguns dos estados mais conservadores do país parecem duvidar de que Donald Trump ainda seja capaz de fazer grande diferença.”

Segundo o Blick, Trump enfrenta uma rebelião dentro de suas próprias fileiras no Senado. Um dos exemplos é o senador Thom Tillis, que está deixando o cargo e publicou um livro criticando políticas adotadas pelo presidente.

“Se os republicanos sofrerem perdas significativas, muitos deles terão de enfrentar uma nova questão: opor-se a Trump é realmente mais perigoso para suas carreiras políticas do que demonstrar lealdade incondicional?”, escreve o jornal.

Já o Le Matin Dimanche acredita que Trump tem uma estratégia pronta, independentemente do resultado das eleições.

“O ocupante da Casa Branca está preparando o terreno para uma eventual derrota esmagadora, em uma manobra tipicamente trumpista: se vencer, reivindicará o mérito; se perder, atribuirá o fracasso eleitoral ao Partido Republicano.”

O presidente dos EUA, Donald Trump, e os responsáveis do setor da IA
O presidente dos EUA, Donald Trump, e os responsáveis do setor da IA Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved

Os Estados Unidos e a China parecem disputar a liderança na definição dos rumos da inteligência artificial (IA). Para a imprensa suíça, essa disputa evidencia o abismo que separa as duas superpotências do restante do mundo.

A inteligência artificial esteve entre os temas discutidos recentemente por Donald Trump e o presidente chinês, Xi Jinping. A questão central é como controlar essa tecnologia e, ao mesmo tempo, repartir os benefícios gerados por seu enorme potencial.

“Europa e Suíça estão muito atrás”, avalia o jornal Le Temps. “Se os Estados Unidos já começam a temer ser ultrapassados [pela China], o que isso significa para nós, europeus? Somos apenas espectadores de uma disputa que foge ao nosso controle.”

Trump voltou a deixar claro que não pretende limitar a vantagem competitiva das principais empresas americanas de IA por meio de regulamentações. Após um encontro com executivos do setor, o presidente manifestou apoio a uma abordagem baseada na autorregulação.

Assim, o mundo parece depender de empresas como a OpenAI e a Nvidia para garantir a segurança global relacionada à tecnologia.

O Neue Zürcher Zeitung (NZZ), porém, aponta outras possibilidades para impedir o uso indevido da inteligência artificial.

“Como regular o desenvolvimento da IA é extremamente difícil, futuras normas poderiam se concentrar no acesso a esses modelos e em sua utilização. Áreas permitidas de aplicação para agentes de IA poderiam ser definidas. Determinadas consultas poderiam ser bloqueadas com base no país de origem do usuário.”

Fotografias de uma jovem Christa Pike
A execução mal sucedida de Christa Pike provocou horror em todo o mundo Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved

A execução malsucedida de Christa Pike provocou indignação nos Estados Unidos e em outros países, incluindo a Suíça.

Condenada à pena de morte no estado do Tennessee por homicídio, Pike recuperou a consciência, mas permanece em estado grave no hospital depois que duas doses de pentobarbital não conseguiram causar sua morte em 30 de setembro. O caso reacendeu o debate sobre a pena capital.

“Quando o Estado responde com uma execução autorizada pelo próprio Estado, trata-se simplesmente de assassinato judicial”, afirmou o jornalista e escritor alemão Helmut Ortner à emissora pública suíça SRF. “Sabe-se que a pena de morte não tem efeito dissuasório e que erros judiciais são possíveis.”

O Neue Zürcher Zeitung (NZZ) também adota uma posição crítica em relação à pena de morte.

“O Estado atribui a si mesmo o direito de julgar a vida de seus cidadãos”, escreveu o jornal. “Isso é incompatível com uma sociedade esclarecida e liberal.”

Uma reportagem do Tages-Anzeiger relembra uma série de execuções que deram errado nos Estados Unidos ao longo dos anos.

“O caso de Christa Pike reacendeu o debate sobre os medicamentos utilizados nas injeções letais”, conclui o jornal. “É uma história perturbadora sob todos os aspectos.”

A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada na quinta-feira, 15 de outubro de 2026. Até lá!

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