Arábia Saudita diz que ataques reivindicados por houthis contra aeroportos mataram 3 pessoas
Os rebeldes houthis do Iêmen reivindicaram nesta quinta-feira (8) um novo ataque contra o aeroporto de Riade, um dia depois de a Arábia Saudita informar a morte de três pessoas e 36 feridos em bombardeios contra os terminais aéreos de sua capital e da cidade de Abha.
Os combatentes iemenitas, aliados do Irã, reivindicaram nos últimos dias vários ataques contra alvos sauditas, incluindo o lançamento de um míssil balístico contra o aeroporto da capital, em plena batalha no Iêmen contra as forças governamentais apoiadas pelo reino.
Na madrugada desta quinta-feira, anunciaram um novo ataque contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, e insistiram, “pela última vez”, em seu apelo para que as companhias aéreas internacionais deixem de utilizar o espaço aéreo saudita.
A Direção de Aviação Civil saudita havia confirmado os ataques de terça e quarta-feira contra os dois terminais aéreos do gigante petrolífero, sem apontar um responsável.
O órgão informou que os mortos no aeroporto de Abha, no sudoeste da Arábia Saudita, são um cidadão egípcio e outro argelino. Em Riade, morreu um sudanês. Outras 36 pessoas ficaram feridas nos dois ataques.
A monarquia afirma ter interceptado um míssil no norte da capital, onde fica o aeroporto, cujo tráfego costuma ser perturbado com certa frequência, segundo o site de rastreamento Flightradar24.
A guerra entre grupo iemenita – que controla a capital, Saná, e vastas áreas do país há mais de uma década – e o governo reconhecido pela comunidade internacional e apoiado por Riade, reacendeu em julho após anos de calma. Tornou-se a frente mais recente da guerra no Oriente Médio.
Desde então, 201.217 pessoas “foram obrigadas a abandonar suas casas”, anunciou na quarta-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM), alarmada com a falta de financiamento para enfrentar esta nova crise humanitária no país mais pobre da Península Arábica.
– Mais de 330 mortos –
Em setembro, uma ofensiva relâmpago dos houthis permitiu que assumissem o controle de toda a costa do Iêmen voltada para o Mar Vermelho, reforçando o seu domínio sobre o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta a Ásia à Europa por meio do Canal de Suez.
As forças governamentais, apoiadas por aviões de combate sauditas, lançaram uma contraofensiva no último fim de semana e afirmam ter obtido “vitórias em várias frentes”, o que os houthis negam.
Fontes militares de ambos os lados consultadas pela AFP não informaram sobre mudanças significativas no terreno.
Novos confrontos no oeste do país deixaram ao menos 62 mortos nesta quarta-feira, segundo fontes militares de ambos os lados, o que somaria mais de 330 combatentes mortos desde segunda-feira.
Durante a noite, Riade voltou a bombardear várias regiões controladas pelos combatentes, incluindo Saná, de acordo com o canal Al-Masirah, afiliado aos houthis.
Os houthis atacaram uma base militar na área do aeroporto de Aden, no sul do Iêmen, para onde o governo se retirou em 2015, no início do conflito.
Segundo o Ministério dos Transportes, um míssil caiu perto da pista de pouso alguns minutos antes da chegada de um voo da companhia aérea iemenita procedente do Cairo, que teve de ser desviado para um terminal aéreo saudita.
– “No meio da rua” –
A agência de notícias do governo Saba também informou sobre um ataque na cidade de Taiz, controlada pelas forças governamentais, mas parcialmente cercada pelos houthis, com saldo de cinco civis feridos.
“Saímos à rua (…) e vimos jovens que tinham sido atingidos. O projétil caiu no meio da rua, em um momento em que o bairro estava cheio”, contou à AFP o morador Al-Fateh al-Eisaei.
A Arábia Saudita e o Iêmen solicitaram, reiteradamente, apoio internacional nas últimas semanas, sobretudo dos Estados Unidos.
Turquia, Paquistão e Arábia Saudita concordaram em passar “imediatamente à implementação” de um acordo de defesa assinado em agosto em Meca.
A guerra afeta o mercado de petróleo da Arábia Saudita, principal exportador mundial de petróleo bruto, devido aos ataques dos houthis às refinarias do reino e à frota saudita no mar Vermelho.
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