Bloco de Netanyahu ataca os partidos árabes após seu histórico resultado eleitoral
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seus aliados intensificaram nesta quinta-feira (29) os ataques contra os partidos árabes israelenses que poderiam ajudar a oposição a conquistar a maioria após as eleições legislativas, acusando-os de terem recebido recursos financeiros do Catar.
Um dos principais candidatos árabes rejeitou as acusações, assim como Doha.
Após a apuração de mais de 99% dos votos, o bloco de Netanyahu está à frente daquele liderado pelo centrista Gadi Eisenkot, seu principal adversário na oposição, mas perde a maioria absoluta no Parlamento. As duas listas árabes, Raam e Lista Unificada, obtiveram o melhor resultado de suas histórias e podem ser decisivas para a formação do novo governo.
As acusações contra os partidos árabes aumentam a incerteza sobre o resultado das eleições, com o líder da oposição, Eisenkot, acusando Netanyahu de ter “iniciado uma campanha coordenada e organizada para deslegitimar os resultados” e adiar o início das atividades do próximo Parlamento.
As acusações também ameaçam mergulhar Israel em uma crise política em um momento em que a região está abalada por um conflito regional e Netanyahu avalia lançar uma campanha militar contra o Irã.
– Acusações “ridículas” –
O presidente israelense, Isaac Herzog, pediu que fossem investigados os “elementos suspeitos”, mas advertiu que não se deveria estigmatizar toda a comunidade árabe israelense, que votou em massa para tirar do poder o governo mais conservador da história do país.
O serviço de inteligência interna (Shin Bet) afirmou que a investigação seguia em curso, ao mesmo tempo em que ressaltou que seu objetivo não era “incriminar toda uma comunidade que votou de maneira democrática e legal”.
O líder da Raam, Mansour Abbas, afirmou que “não vão encontrar nada porque não há nada”.
A Lista Unificada considerou que as acusações de Netanyahu e de sua coalizão “revelam o medo” do primeiro-ministro diante do avanço das forças árabes.
Na noite de quarta-feira, o chefe da Comissão Eleitoral, Noam Sohlberg, havia pedido ao Shin Bet que investigasse as acusações do Likud de Netanyahu sobre financiamento estrangeiro da campanha.
Vários responsáveis e meios de comunicação citaram o Catar, que rejeitou qualquer ingerência nas eleições.
– “Islamizar Israel” –
“As eleições no Estado de Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a aniquilação do Estado judeu”, afirmou o partido de Netanyahu, o Likud, no X, em uma publicação que o primeiro-ministro também compartilhou.
Durante a campanha, Netanyahu atacou sem cessar essas formações, que apresentava como uma ameaça à sobrevivência de Israel.
Para o Likud, esse caso representa um “atentado contra a democracia” destinado a “islamizar Israel e derrubar o governo de direita, além de provocar uma retirada e uma derrota de Tsahal [o exército israelense] em todas as frentes, começando pelo Irã”.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, uma figura-chave da extrema direita do governo em final de mandato, instou a prender sem demora os líderes dos partidos árabes “suspeitos de terem recebido dinheiro do Catar”.
– Esperança no “diálogo” –
No dia das eleições, Netanyahu já havia acusado o Raam de tentar “roubar as eleições” após a detenção de três homens com envelopes cheios de dinheiro perto de uma seção eleitoral. No entanto, as autoridades eleitorais descartaram que tivesse ocorrido qualquer fraude em larga escala.
Nesta quinta-feira, o Likud considerou que agora está “claro que nenhum partido sionista pode ser autorizado a cooperar com o Raam ou com a Lista Unificada”, pois isso colocaria “Israel em perigo”.
Com a apuração prestes a terminar, a coalizão de Netanyahu fica em primeiro lugar com 53 cadeiras projetadas, frente às 48 que teriam sido obtidas pelo bloco de Eisenkot, mas nenhum dos dois alcança a maioria no Parlamento, de 120 assentos.
Com 19 cadeiras, os partidos árabes podem ser decisivos para que a atual oposição chegue ao poder, embora esse bloco tenha se mostrado até agora reticente em firmar uma aliança com eles.
Eisenkot declarou que as autoridades têm o dever de investigar “toda denúncia”, mas advertiu que não se deveria “instrumentalizar” a situação para atrasar a entrada em funcionamento do novo Parlamento.
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