The Swiss voice in the world since 1935

Cuba restabelece rede elétrica após apagão mas cortes persistem

afp_tickers

Cuba restabeleceu sua rede elétrica nesta quinta-feira (5), após uma falha que deixou dois terços da ilha sem serviço, mas a escassez de combustível agravada pelo cerco energético dos Estados Unidos mantinha a população submetida a cortes prolongados de energia.

As interrupções se intensificaram desde que o governo de Donald Trump impôs um bloqueio energético de fato após a derrubada e captura do presidente Nicolás Maduro, um aliado-chave de Cuba, em uma incursão americana em 3 de janeiro. Ao mesmo tempo, o governo Trump pôs fim aos envios de petróleo de Caracas para Havana.

O centro e o oeste do país, incluindo a capital, ficaram sem eletricidade desde o meio-dia de quarta-feira por causa de uma falha que provocou um desligamento “inesperado” da central termelétrica Antonio Guiteras, a principal da ilha, informou o Ministério de Minas e Energia.

“Às 05h01 desta madrugada, o Sistema Elétrico foi interconectado de Guantánamo a Pinar del Río”, províncias nos extremos leste e oeste da ilha, disse o ministério no X.

Na tarde desta quinta-feira, o serviço havia sido restabelecido em quase 80% da capital, embora várias áreas da cidade permaneçam sem energia devido ao alto déficit de geração elétrica no país. 

Entre 1º de janeiro e 15 de fevereiro, a disponibilidade de eletricidade no país caiu 20% em comparação com 2025, ano em que Cuba mal cobriu metade de suas necessidades, segundo dados oficiais compilados e analisados pela AFP.

– Falta de combustível –

As autoridades indicaram que, embora a falha na principal termelétrica do país tenha sido “o estopim do apagão”, a “principal causa” foi “a fragilidade do sistema elétrico pela indisponibilidade de combustível” para alimentar geradores de apoio.

O sistema do país depende de uma rede de termelétricas envelhecidas, algumas com mais de 40 anos de operação.

A ilha, de 9,6 milhões de habitantes, sofreu cinco apagões generalizados desde o fim de 2024.

Além disso, os cubanos enfrentam diariamente longos cortes programados. Em Havana, nos últimos dias, as interrupções superaram 15 horas e, nas províncias, podem durar mais de um dia.

Desde 9 de janeiro nenhum petroleiro chegou oficialmente a Cuba, o que obrigou o governo de Miguel Díaz-Canel a adotar medidas severas de economia, incluindo a suspensão da venda de diesel, o racionamento de gasolina e a redução de alguns serviços hospitalares.

Para justificar sua política, Washington alega a “ameaça excepcional” representada por Cuba, ilha caribenha situada a apenas 150 km da costa da Flórida, para a segurança nacional americana, devido às suas relações com China, Rússia e Irã.

Havana acusa Trump de querer “asfixiar” a economia da ilha comunista, submetida a embargo americano desde 1962 e alvo de um endurecimento das sanções nos últimos anos.

jb/pcl/mel/mar/mel/lm/mvv/ic

Mais lidos

Os mais discutidos

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR