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Espanha identifica vítimas de colisão de trens diante da angústia das famílias

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A Espanha intensifica nesta sexta-feira (30) a operação de identificação das vítimas da colisão de trens que deixou ao menos 69 mortos, diante da angústia de muitas famílias que continuam sem notícias de seus parentes.

A tragédia, que aconteceu a poucas semanas das eleições gerais, é o segundo acidente ferroviário grave do ano na Espanha e aprofundou as dúvidas sobre a segurança do sistema ferroviário de alta velocidade, antes motivo de orgulho nacional. 

Na cidade de Toledo, cujo necrotério concentra os trabalhos de identificação, dezenas de parentes dos passageiros aguardam notícias com muita ansiedade, dois dias após a tragédia.

Javier Barrio procura a esposa, que estava em um dos trens acidentados. Era a última viagem de trabalho antes da aposentadoria.

“Estamos fazendo o que podemos, chorando, tenho meus dois filhos aqui por perto que estão me apoiando muito, mas passamos momentos muito difíceis”, afirmou o homem, que já considerava “remotíssimas” as chances de receber uma boa notícia. 

“Estamos arrasados”, descrevia por sua vez Cecilio Liébana, a quem haviam comunicado há pouco que seu sobrinho, de 32 anos, estava entre os falecidos.

Depois de uma reunião com os serviços de emergência no município vizinho de Urda, onde ocorreu o acidente, o primeiro-ministro Pedro Sánchez reiterou seu “compromisso” de avançar na identificação.

“Estamos trabalhando de maneira incansável, todos os poderes do Estado (…) para tentar oferecer e fornecer o máximo de informação quanto antes”, disse.

Na manhã de quarta-feira, um trem da empresa estatal Renfe, que havia partido de Madri rumo a Sevilha, atingiu em alta velocidade um trem da companhia Iryo, que estava parado na via, a 150 quilômetros ao sul da capital.

Emiliano García-Page, presidente da região de Castilla-La Mancha, onde ocorreu o acidente, afirmou pela manhã que não descartava “que possa haver mais mortos”.

Além da recuperação de “corpos completos”, os socorristas recolheram “até 31 bolsas mortuárias com pedaços de corpos e isso, como podem compreender, é de enorme complexidade na hora da identificação”.

Até o momento, há 67 denúncias de desaparecimento ativas, segundo a atualização mais recente do órgão judicial encarregado, entre eles 14 cidadãos estrangeiros procedentes de “Argentina, Austrália, Canadá, EUA, França, Japão, México, República Tcheca, Tunísia e Venezuela”. 

Essas denúncias podem coincidir com os mortos, já que, até agora, apenas 12 identificações foram notificadas.

Além disso, 39 feridos permanecem hospitalizados, mas todos apresentam “uma evolução razoavelmente positiva”, segundo o presidente regional.

Auxiliadas por três enormes guindastes e cães, as equipes de emergência prosseguem nesta sexta-feira com as buscas por vítimas entre os ferros retorcidos de vários vagões.

– “Confiança abalada” –

A investigação das causas do acidente prossegue, em meio ao choque de um país em que o trem é um meio de transporte muito utilizado.

Em janeiro, outro acidente entre dois trens de alta velocidade provocou a morte de 46 pessoas.

O ministro dos Transportes, Óscar Puente, voltou a descrever nesta sexta-feira a sequência que levou a esse acidente “incompreensível”, e que começou após uma falha de informática que obrigou vários trens a parar.

Segundo os primeiros indícios, pouco depois o centro de controle em Madri autorizou o trem da Renfe a retomar a marcha em velocidade normal, contrariando as normas e apesar de o Iryo continuar parado quilômetros à frente, sem conseguir voltar a andar.

“Percorreu cerca de 25 quilômetros e ultrapassou os 160 quilômetros por hora até colidir com o Iryo”, explicou Puente, que descartou renunciar ao cargo, apesar da crescente pressão da oposição.

“Minha obrigação agora não é me dedicar a falar sobre a minha permanência, e sim resolver o problema”, declarou.

Pouco antes, Pedro Sánchez havia convocado a reconstruir a “confiança abalada no sistema de alta velocidade” espanhol.

Após várias crises, o líder socialista busca a reeleição no pleito antecipado de 29 de novembro, mas as pesquisas são desfavoráveis a seu partido.

“Se eles não renunciarem, nós os faremos renunciar nas urnas”, disse nesta sexta-feira Alberto Núñez Feijóo, líder do opositor Partido Popular (PP, direita).

O sindicato Semaf convocou outra paralisação total de maquinistas da Renfe para 10 de novembro, e uma parcial no dia 12, em nome da segurança ferroviária.

bur-du/ml/dbh/fp-jc/ic

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