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EUA perde empregos, mas Casa Branca considera que economia segue ‘forte’

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Os empregos diminuíram inesperadamente nos Estados Unidos em fevereiro e a taxa de desemprego subiu ligeiramente, segundo dados oficiais divulgados nesta sexta-feira (6), alimentando preocupações sobre uma desaceleração do mercado de trabalho. 

Apesar da queda, a Casa Branca considera que a economia está “forte”, à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato deste ano.

A maior economia do mundo perdeu 92 mil postos no mês passado, após um ganho de 126 mil vagas em janeiro, informou o Departamento do Trabalho. 

A taxa de desemprego subiu levemente para 4,4%, ante 4,3% no mês anterior.

A forte queda geral do emprego deveu-se a uma redução de postos no setor de saúde devido a greves, informou o Departamento de Trabalho. Os grevistas são considerados estatisticamente fora do mercado de trabalho, de forma temporária. 

No entanto, isso não basta para explicar uma queda de tal magnitude. O que acontece é que, sobretudo, os meses anteriores sofreram importantes revisões em baixa. 

O relatório de janeiro, que havia sido considerado muito bom, agora não é tanto. E a atualização dos dados mostra que os Estados Unidos já tinham eliminado empregos no mês de dezembro. 

“A história econômica acaba de mudar de forma espetacular. (…) As questões relativas a uma possível recessão voltam a estar sobre a mesa”, afirmou no X Justin Wolfers, professor de economia na Universidade de Michigan.

O relatório acrescenta que “o emprego no setor de informação e no governo federal continuou apresentando tendência de queda”.

Economistas haviam antecipado amplamente uma forte desaceleração no crescimento do emprego, mas não uma queda.

Se a tendência continuar, isso dificultará as tentativas do presidente Donald Trump de aliviar a crescente preocupação com o custo de vida. 

“Embora fevereiro seja um mês curto e os números geralmente sejam mais baixos, o relatório de hoje ficou muito aquém das projeções”, disse Ger Doyle, presidente regional para a América do Norte da ManpowerGroup. 

Isso “indica que os empregadores foram muito mais prudentes em seus planos de contratação ao iniciar o mês”, acrescentou Doyle em um comunicado. 

O especialista disse que o panorama geral mostra um mercado de trabalho “cauteloso”, no qual os empregadores estão criando vagas onde é imprescindível, mas aguardam sinais econômicos mais claros antes de ampliar seus planos de contratação.

– Casa Branca declara que está tudo bem –

O principal conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse em uma entrevista nesta sexta-feira que a economia dos Estados Unidos está “realmente forte” apesar da perda de empregos. 

Hassett disse à CNBC que os observadores deveriam “considerar a média de vários meses” quando se trata dos números de contratações, e acrescentou que os dados mais recentes estão dentro do previsto “porque a imigração caiu tanto que o ponto de equilíbrio do emprego provavelmente se situa na faixa de 30 mil ou 40 mil postos de trabalho criados por mês”. 

O ponto de equilíbrio é aquele que permite manter estável a taxa de desemprego. 

“É coerente com todo o resto que estamos vendo, que é o fato de que a economia está realmente forte”, afirmou.

Mas Chuck Schumer, líder da minoria democrata no Senado, classificou o relatório como um “alarme estridente” que demonstra que a economia de Trump está “se deteriorando rapidamente”. 

“As tarifas estão aumentando os custos, os preços da gasolina estão disparando e os empregos estão evaporando”, criticou Schumer.

– Preocupações –

É provável que os números aumentem as preocupações sobre o mercado de trabalho, cujo fortalecimento havia contribuído anteriormente para sustentar o gasto das famílias.

Os dados de fevereiro também podem servir de argumento a favor da retomada dos cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central) para sustentar a economia.

Também nesta sexta-feira, foram divulgados os números sobre o consumo das famílias americanas, que continuou perdendo fôlego em janeiro, embora com uma queda das vendas no varejo menor do que previam os mercados. 

Segundo o Departamento de Comércio, as vendas no varejo recuaram 0,2% no mês, para 733,5 bilhões de dólares (3,846 trilhões de reais). 

Os analistas esperavam uma queda de 0,4% no mês, segundo o consenso publicado pelo MarketWatch. 

O período foi especialmente marcado por várias ondas de frio que afetaram diferentes regiões do país, o que limitou os deslocamentos e prejudicou as compras. 

Em termos anuais, esse índice, que inclui itens como compras em lojas, idas a restaurantes e abastecimento de combustíveis, continua mostrando uma tendência de alta, de 3,2%.

tmc/ni/spi/mr/mel/jc/yr

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