França tem manifestações multitudinárias com alguns tumultos
Centenas de milhares de pessoas voltaram às ruas na França neste sábado (31), pelo terceiro fim de semana consecutivo, para protestar contra o alto custo de vida.
Nas últimas semanas, houve protestos liderados por jovens em toda a Europa, e também ocorreram passeatas neste sábado na Alemanha, onde a polícia disparou canhões de água para dispersar os manifestantes.
A seis meses da eleição presidencial e diante da multiplicação de apelos à “revolução” e à “insurreição” nas redes sociais, as autoridades francesas mobilizaram neste sábado 70 mil agentes de segurança.
Embora os protestos em nível nacional tenham sido em grande medida pacíficos, houve tensões em várias cidades, e circularam chamados para que os manifestantes se reunissem em praças públicas na noite deste sábado.
Segundo a prefeitura de polícia de Paris, centenas de vândalos atacaram as forças de segurança com projéteis, incluindo um coquetel molotov.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, comemorou o fato de que a jornada tenha transcorrido “bem”, apesar da “violência inaudita” de grupos de vândalos.
Em coletiva de imprensa, o ministro apontou grupos de “extrema esquerda” que se enfrentaram com as forças de segurança e qualificou como “tentativa de assassinato” o lançamento de um coquetel molotov em Paris contra um policial, que ficou “levemente ferido”.
Os candidatos à eleição presidencial, Marine Le Pen (Reagrupamento Nacional, extrema direita) e Bruno Retailleau (Os Republicanos, direita), criticaram neste sábado o lançamento do coquetel molotov.
Ao final do dia, ocorreram confrontos em Lyon (centro-leste), Rennes (oeste), Marselha (sudoeste) e Toulouse (sudoeste).
No total, 422 pessoas já haviam sido detidas antes das 19h GMT (16h em Brasília), indicou Nuñez. E esse número provavelmente aumentará nesta noite de Halloween, advertiu.
As autoridades afirmam ter contabilizado 320 mil pessoas nas ruas em todo o país, sendo 70 mil em Paris, nesta terceira jornada de manifestações convocadas por estudantes do ensino médio e universitários, além dos coletes amarelos e sindicatos.
A coalizão de sindicatos e agremiações estudantis estimou a participação em cerca de 500 mil pessoas, incluindo 200 mil na capital.
Em Paris, sob um céu ensolarado, os franceses marcharam carregando cartazes com mensagens como “alerta climático e pelo custo de vida” pelo único trajeto autorizado pela polícia, nos bairros residenciais da zona leste da cidade.
As autoridades voltaram a mobilizar o amplo aparato de segurança utilizado no fim de semana passado para evitar a repetição do caos de 17 de outubro, quando, segundo estimativas, entre 550 mil e 800 mil pessoas foram às ruas. Houve saques a lojas, incêndios em prédios públicos e confrontos com as forças de segurança em várias cidades.
Às reivindicações dos sindicatos e aos protestos contra o aumento do custo de vida somou-se a denúncia do crescimento do racismo, após um atentado que resultou em um morto e sete feridos em 23 de outubro na região parisiense.
“Dizemos não ao custo de vida, não à extrema direita, sim às reivindicações dos estudantes do ensino médio, sim à palavra dos cidadãos”, declarou Camille Guérin, uma manifestante de 31 anos em Nantes (oeste).
– “Deriva autoritária” –
Em toda a França, manifestantes criticaram o governo por não autorizar protestos nos centros urbanos.
“Tenho medo de ver o que está acontecendo nesta democracia francesa. Está sendo instaurado um Estado policial”, afirmou Eloïse, de 35 anos, em Toulouse, onde nenhum tipo de manifestação foi autorizado.
O líder da esquerda radical e candidato à eleição presidencial de abril e maio de 2027, Jean-Luc Mélenchon, acusou o governo, em uma publicação no X, de promover uma “deriva autoritária”.
– Toques de recolher –
Em Paris, dezenas de estações de metrô foram fechadas e muitos comerciantes protegeram suas vitrines com painéis de madeira.
“O pretexto da noite de Halloween não será motivo legítimo para ocultar o rosto em espaços públicos” com o objetivo de “perturbar a ordem”, advertiu o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
A legislação francesa permite o uso de máscaras em espaços públicos durante festividades, mas proíbe seu uso nas proximidades de manifestações.
Toques de recolher foram decretados em algumas áreas da capital nas noites de sábado e domingo, medida que também já havia sido adotada em várias cidades francesas nos últimos dias.
Diversas organizações defendem a continuidade do movimento, e duas delas convocaram bloqueios de escolas de ensino médio e universidades para terça e quinta-feira.
Também está prevista uma greve na próxima quinta-feira, e os “coletes amarelos” pedem ainda um movimento popular nos dias 6 e 7 de novembro para manter a mobilização.
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