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Furacão Polo se aproxima do México e ameaça causar danos severos

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A Guarda Nacional percorre as ruas alertando a população, que protege portas e janelas com tábuas e sacos de areia. A força do furacão Polo começou a ser sentida nesta segunda-feira (28), horas antes de tocar o solo na costa do Pacífico mexicano.

As previsões indicam que o ciclone deve atingir a categoria 3 de 5 na escala Saffir-Simpson. É o primeiro desta temporada a tocar terra na região. As autoridades determinaram que os moradores se abriguem a partir das 15h locais (19h em Brasília).

Uma equipe da AFP está em Puerto San Carlos, na Baixa Califórnia Sul. O vilarejo, de cerca de 6.000 habitantes, fica em uma região acostumada a ciclones tropicais, mas teme a força de Polo em um ano no qual o fenômeno El Niño ameaça agravar as consequências.

“Este vai ser muito pior, vai causar mais estragos”, declarou à AFP María Palomino. “Vem com muita força destrutiva”, acrescentou a comerciante de 57 anos.

O vento ganha intensidade e as palmeiras se curvam de um lado para o outro. O nível do mar subiu e rompeu vários trechos de uma barreira de areia que servia de contenção. A água começou a invadir as ruas. O fornecimento de energia elétrica já foi interrompido.

Um caminhão da Guarda Nacional passa pedindo à população que adote medidas preventivas. Algumas casas e estabelecimentos comerciais protegeram suas entradas com tábuas e sacos de areia.

– “Tudo vai inundar” –

Alguns moradores se refugiaram em um abrigo instalado na escola de ensino médio, enquanto outros decidiram ir para a casa de familiares ou para um dos 169 abrigos disponibilizados no estado.

Palomino aguarda sobre um colchonete colocado no chão da escola.

Ela está nervosa e diz que apenas a companhia dos conhecidos a tranquiliza: “Vamos ficar entre conhecidos e juntos, é melhor”. “Se alguma coisa acontecer, prefiro vir para o abrigo, onde há gente que conheço.”

A escola fica muito perto do mar, que já ultrapassou naquela área a pequena barreira de areia que servia de contenção. Um policial que passava pelo local avaliou que todo o povoado deveria ter sido evacuado. “A escola vai inundar, tudo vai inundar.”

O mar preocupa mais do que o vento.

Mas Jorge Venalonzo, diretor da escola, insiste que a estrutura já resistiu à força de outros ciclones. Ele está tranquilo: há água e comida.

“Conheço bem a minha escola e sei que estou seguro aqui”, afirmou.

– “Vem com tudo” –

Baja California Sur é uma das regiões do México mais expostas a ciclones. Polo é o primeiro a tocar terra neste ano, marcado pelo El Niño, que aquece as águas e favorece a formação de furacões.

“Vem com tudo”, avaliou Juan Manuel Sarabia, de 53 anos, que colocou tábuas na fachada de sua casa, reforçadas por longas ripas de madeira. “Temos que nos proteger pela família, pela propriedade”, acrescentou o homem que, como muitos moradores do povoado, ganha a vida levando visitantes para pescar e observar baleias.

Ao amanhecer, a atmosfera ganhou tons ocres enquanto o sol tentava atravessar as nuvens densas. Com o passar das horas, o céu ficou encoberto por um cinza sombrio. Faz muito calor e a umidade está muito elevada.

As Forças Armadas mobilizaram quase 7.000 militares no estado, onde também foram suspensas as aulas e o trabalho presencial dos servidores públicos. As atividades marítimas e o acesso às praias também foram interrompidos.

– “Muito severo” –

O chefe do serviço meteorológico do México, Fabián Vázquez, prevê um impacto “muito severo”, com árvores derrubadas, casas de madeira ou com telhados de chapa destruídas, bloqueios em estradas e interrupções no fornecimento de energia elétrica, que já começaram a ocorrer.

Também são previstas inundações provocadas pela elevação do nível do mar e pelas fortes chuvas esperadas.

Além de Polo, os meteorologistas monitoram Rachel, uma tempestade tropical com potencial para ganhar força.

Margarita Díaz e sua família decidiram esperar a passagem de Polo em casa, em San Carlos. As janelas estão protegidas apenas por fita adesiva azul de pintura, colocada em forma de asterisco.

“Não tenho madeira, podemos colocar uns papelões”, disse. “Vai ser forte, mas tenho fé em Deus.”

jt/acc/aa/ic/mvv

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