Irã promete ataques ‘devastadores’ contra EUA e Israel após ameaças de Trump
Novas explosões sacudiram o Irã nesta quinta-feira (2), após as ameaças de bombardeios intensos do presidente americano, Donald Trump, enquanto Teerã prometeu lançar ataques “devastadores” contra Estados Unidos e Israel.
Após mais de um mês de conflito, que deixou milhares de mortos em todo o Oriente Médio, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que esta poderia se tornar uma guerra mais ampla e pediu o cessar imediato dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e das agressões iranianas contra seus vizinhos.
O Exército iraniano prometeu executar ataques “devastadores” contra Israel e os Estados Unidos “até a sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e seguro, e rendição”, em resposta ao discurso de quarta-feira à noite de Trump, que prometeu bombardear a República Islâmica por mais duas ou três semanas até que o país retorne à “Idade da Pedra”.
“Trump diz muitas coisas. É muito difícil ler a mente dele, parece que muda de opinião o tempo todo, então não é possível prever o que vai acontecer. Mas abandonar a guerra nesta situação é uma vitória para a República Islâmica”, lamentou um morador de Teerã, operador da Bolsa, de 30 anos, em declarações à AFP.
O discurso de Trump foi o primeiro desde o início da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos em 28 de fevereiro e esfriou qualquer esperança de desescalada nas Bolsas e no mercado de petróleo.
– Ataques –
O exército israelense, por sua vez, repeliu disparos de mísseis procedentes do Irã, do Hezbollah, seu aliado libanês, e detectou um míssil procedente do Iêmen em plena Páscoa judaica.
Rebeldes huthis do Iêmen afirmaram depois ter realizado um quarto ataque com mísseis contra alvos na área de Tel Aviv.
No Líbano, a ofensiva terrestre de Israel provocou um êxodo maciço, e a diretora da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Amy Pope, alertou, nesta quinta-feira, que as perspectivas de um deslocamento prolongado são “muito alarmantes” e que há zonas “que estão sendo completamente arrasadas”.
Enquanto isso, a guerra desestabiliza a economia mundial, em particular devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica para o petróleo do Golfo.
Em Teerã, os bombardeios provocaram danos consideráveis no Instituto Pasteur do Irã e várias explosões foram relatadas em diferentes bairros.
O Irã segue atacando os aliados dos Estados Unidos. O governo dos Emirados Árabes Unidos anunciou que interceptou 19 mísseis e 26 drones nesta quinta-feira.
Em um comunicado difundido pela TV estatal, o comando central do exército iraniano afirmou que sua última onda de ataques teve como alvos os Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Israel, em represália aos bombardeios contra suas instalações industriais.
A instituição assinalou que os alvo incluíam “indústrias siderúrgicas americanas em Abu Dhabi, indústrias americanas de alumínio no Bahrein e as fábricas de armamento Rafael, do regime sionista”.
Segundo a agência Tasnim, o Irã atacou centros de dados das empresas americanas Oracle em Dubai e Amazon no Bahrein.
Enquanto isso, Trump afirmou que a ponte mais alta do Irã foi destruída e publicou imagens de uma coluna de fumaça sobre a passagem B1 em Karaj, 35 km a sudoeste de Teerã.
– Celebrações em meio a bombardeios –
Alguns moradores de Teerã aproveitaram o último dia das festividades de Nowruz, o Ano Novo persa, no parque Mellat para fazer churrasco ou fumar narguilé, segundo um fotógrafo da AFP.
Contudo, um morador da capital, que não quis se identificar, descreveu como a vida diária na cidade foi alterada “com mais agentes da Guarda Revolucionária por aí”.
Ele acredita que os agentes estão nas ruas “para mostrar às pessoas que continuam no poder e nada vai mudar”, acrescentou.
As forças do Irã prosseguiram com o lançamento de projéteis contra Israel, que anunciou um balanço de quatro pessoas levemente feridas na região de Tel Aviv.
A situação obrigou muitos israelenses a celebrar a Páscoa judaica no subsolo para se proteger dos ataques iranianos.
“Pelo menos aqui no abrigo, podemos sentar e esperar que passe”, disse um escritor que se identificou como Jeffrey em um búnquer de Tel Aviv.
– Pressões pela reabertura do Estreito de Ormuz –
A Guarda Revolucionária iraniana prometeu manter fechado o estratégico Estreito de Ormuz aos “inimigos” do país.
Antes da guerra, 20% das exportações mundiais de petróleo bruto trafegavam por esta via marítima. Os preços do petróleo, que haviam registrado queda na quarta-feira com a esperança de uma desescalada, voltaram a subir após o discurso de Trump.
O Reino Unido organizou uma reunião virtual com quase 40 países nesta quinta-feira, após a qual acordaram pedir a “reabertura imediata e incondicional” do Estreito de Ormuz.
O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) pediu que o Conselho de Segurança da ONU dê luz verde ao uso da força para liberar o estreito.
O Irã, por sua vez, afirmou que está desenhando um protocolo com Omã para garantir a segurança da navegação nesta passagem marítima “em tempos de paz”.
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