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Migros quer fundir cooperativas e centralizar gestão na Suíça

Migros
A maior rede de supermercados do país quer simplificar a estrutura operacional do grupo. Keystone / Peter Klaunzer

A rede de supermercados Migros, uma das maiores empregadoras da Suíça, quer encerrar sua tradição de operações descentralizadas por meio da fusão de suas cooperativas regionais (sociedades de pessoas sem fins lucrativos que operam em benefício mútuo de seus membros).

A principal atividade da rede de supermercados Migros, a maior da Suíça, mal é rentável atualmente. Seus supermercados, organizados em cooperativas no país, enfrentam dificuldades com margens de lucro baixas. Isso fica evidente a partir de uma análise dos resultados das dez cooperativas regionais.

No ano passado, a cooperativa regional de Zurique registrou um prejuízo de 180 milhões de francos. A Migros no Ticino, no sul da Suíça, também está no vermelho (com saldo negativo e operando com prejuízo). Os supermercados em Ticino e Genebra enfrentam a concorrência de redes de baixo custo sediadas em países vizinhos.

Ao dissolver as sociedades regionais e fundi-las em uma cooperativa do grupo, a Migros pretende obter economia e otimizar as operações.

A estrutura anterior da Migros concedia a cada cooperativa uma ampla autonomia, o que deu origem à expressão “príncipe regional”. Cada cooperativa regional tem sua própria administração, com presidente próprio, e mantém contabilidade independente, com relatórios anuais separados.

Essa organização descentralizada levou a diversos escândalos. Durante muito tempo, por exemplo, houve instabilidade interna na cooperativa de Neuchâtel-Friburgo.

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O conflito interno em Neuchâtel-Friburgo escalou há sete anos, quando o seu então presidente foi acusado de fraude e apropriação indébita.

A sede do grupo Migros em Zurique tentou destituir a liderança de Neuchâtel-Friburgo, o que levou a uma votação entre os 50 mil cooperados locais (os membros associados à cooperativa).

Irregularidades ocorreram durante a votação, incluindo cédulas eleitorais falsificadas. O caso evidenciou as fragilidades da gestão descentralizada.

A cooperativa regional de Zurique fracassou em um empreendimento no exterior que desperdiçou várias centenas de milhões de francos. Em 2013, a Migros Zurique assumiu o controle da rede de supermercados Tegut, na Alemanha. A iniciativa, contudo, resultou em prejuízos financeiros e na colocação da rede alemã à venda. Esse exemplo também evidenciou as limitações da estrutura descentralizada.

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A fusão do grupo Migros vai agora centralizar cooperativas completamente distintas, tanto de grande quanto de pequeno porte. Em volume de vendas, a cooperativa de Zurique é a maior, com faturamento em torno de quatro bilhões de francos.

A cooperativa do Leste da Suíça, por sua vez, conta com o maior quadro de funcionários, somando 8.466 funcionários. A menor cooperativa é a de Ticino. No entanto, todas as dez cooperativas apoiam a fusão.

Resta saber quantos postos de trabalho serão eliminados após a unificação. Desde 2018, a Migros cortou ou terceirizou quase 15 mil empregos.

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A Migros vendeu uma série de empresas subsidiárias (empresas controladas por outra organização), incluindo Hotelplan, Globus, Melectronics, SportX, Micasa e Mibelle. A alienação da Tegut na Alemanha causará o fechamento de mais sete mil postos de trabalho este ano, com a transferência dos empregados para o novo proprietário.

A fusão das cooperativas regionais requer a aprovação dos 2,3 milhões de membros cooperados da Migros, que votarão a proposta. É necessária uma participação de pelo menos 25% dos votantes e uma maioria de dois terços de votos favoráveis.

Adaptação: Alexander Thoele

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