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Plataforma de criptomoedas Binance confirma ciberataque de US$ 6,3 bilhões

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A plataforma de criptomoedas Binance prometeu nesta sexta-feira (30) cobrir integralmente as perdas de seus clientes, após um ciberataque que afetou fundos avaliados em cerca de 6,3 bilhões de dólares (R$ 33 bilhões), no que se considera o maior roubo de criptomoedas já realizado.

A maior plataforma de negociação de criptomoedas do mundo em volume diário de operações afirmou que as investigações haviam “identificado pontos adicionais de comprometimento”. Inicialmente, a Binance havia anunciado que o ataque envolveu apenas um computador portátil.

“Este foi um ataque complexo, e estamos fazendo todo o possível, em coordenação com as forças de segurança, para solucioná-lo”, informou a empresa em sua conta em espanhol na rede social X voltada para a América Latina.

Anteriormente, a empresa publicou uma série de mensagens, algumas delas contraditórias, nas quais assegurou que “os fundos dos usuários estão completamente seguros”, mas também afirmou que “cobrirá todas as perdas”.

Segundo suas últimas comunicações nesse perfil, o impacto total estimado do ciberataque é de aproximadamente US$ 6,3 bilhões. Desse montante, a empresa conseguiu congelar cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,2 bilhões) “até agora”, e as operações para bloquear mais fundos continuam, segundo a Binance.

– Indícios do ciberataque –

O valor seria quatro vezes maior que o do maior ciberataque desse tipo registrado até agora: os US$ 1,5 bilhão (R$ 8 bilhões, cotação atual) subtraídos da plataforma Bybit em fevereiro de 2025.

A empresa de pesquisa em blockchain TRM Labs afirmou na quinta-feira ter “alto grau de confiança” de que o ataque foi orquestrado pelo TraderTraitor, um grupo de hackers vinculado à Coreia do Norte. A empresa citou “informações sólidas tanto dentro quanto fora da blockchain”.

“Várias características deste ataque coincidem com roubos anteriores vinculados à Coreia do Norte”, afirmou a TRM.

Acredita-se que o TraderTraitor faça parte do Grupo Lazarus, que ganhou notoriedade em 2014, quando foi acusado de hackear a Sony Pictures em represália ao filme “A Entrevista”, que satirizava o líder norte-coreano Kim Jong-un.

O presidente Donald Trump disse hoje que os Estados Unidos investigam o ataque, enquanto o FBI informou mais cedo à AFP que estava “ciente do incidente” e que buscava “entender o seu alcance, avaliar as possíveis consequências e coordenar as medidas de investigação”.

O Departamento de Justiça americano não confirmou a existência de uma investigação e lembrou que a plataforma continua “obrigada a cooperar com as forças de segurança”, conforme um acordo firmado em 2023.

– Reservas –

O codiretor da Binance, Richard Teng, afirmou em um vídeo publicado na rede social X nesta sexta-feira que a plataforma reservou mais de US$ 6,34 bilhões (R$ 34,3 bilhões) de seu próprio capital para cobrir os ativos roubados.

“Nós jamais utilizamos os fundos dos clientes e, portanto, eles não foram afetados”, assegurou, ao explicar que o ciberataque teve como alvo uma carteira da Binance conectada à internet.

“Este ataque não foi realizado por uma única pessoa”, acrescentou Teng. Segundo o executivo, os hackers utilizaram um dispositivo de autodestruição que apagava seus rastros e conseguiram acessar essa carteira sem passar pelos controles internos.

“Temos boas expectativas de que os usuários possam realizar saques antes do fim de domingo”, ou seja, “dentro de 40 horas”, declarou Teng.

A Binance publicará na segunda-feira um relatório de comprovação de suas reservas, que permitirá a verificação pública de seus fundos.

Às 20h40 GMT, o bitcoin era negociado a US$ 76.930, uma queda de 3,7% em 24 horas.

– Fundos congelados –

Por volta das 21h30 de sexta-feira, a Binance informou que todos os depósitos e saques haviam sido “temporariamente suspensos”, enquanto sua equipe “realizava verificações de segurança, congelava fundos e colaborava com as autoridades”.

“Não encontramos evidências de qualquer vazamento de chaves privadas de carteiras”, afirmou a Binance.

O ex-diretor da Binance Changpeng Zhao, que já não comanda o grupo, mas continua sendo seu acionista majoritário, considerou na noite de quinta-feira que “realmente parece um ataque”.

Paolo Ardoino, diretor da Tether, empresa emissora de uma criptomoeda conhecida como USDT, afirmou que havia congelado cerca de US$ 1,6 bilhão “relacionados a um possível ataque à plataforma de negociação Binance”.

Jeremy Allaire, diretor da plataforma de criptomoedas Circle, acrescentou que sua empresa havia bloqueado mais de US$ 800 milhões (R$ 4,33 bilhões) em outra moeda digital, a USDC.

Tanto o USDT quanto o USDC são stablecoins, ou seja, moedas digitais cujo valor está atrelado a uma moeda tradicional, o dólar americano.

O ataque à Binance ocorre em um momento em que muitos observadores alertam para as capacidades cada vez maiores dos modelos de inteligência artificial, que poderiam comprometer a criptografia e os protocolos de segurança tecnológica.

O mercado “não está em modo de pânico”, avaliou à AFP Stéphane Ifrah, analista da plataforma francesa Coinhouse, que mencionou um impacto “muito, muito limitado”.

O presidente da Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities, Michael Selig, disse ao canal CNBC que “o verdadeiro problema” é que o caso envolve “plataformas extraterritoriais não regulamentadas, sem as mesmas proteções que os mercados financeiros nos Estados Unidos”.

 

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