Christine Lagarde deixará a presidência do BCE em fevereiro de 2027
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, deixará o cargo em 7 de fevereiro de 2027, quase nove meses antes do fim de seu mandato previsto para o final de outubro, anunciou o organismo nesta quinta-feira (29).
Segundo um comunicado, Lagarde informou sua decisão ao Conselho de Governadores da instituição monetária, assim como ao presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Esse órgão, que reúne os chefes de Estado e de governo dos 27 países da UE, é o responsável por nomear seu sucessor de acordo com os tratados comunitários.
Em uma mensagem no X, Costa agradeceu o “profundo sentido de dever e de responsabilidade” da dirigente francesa. Ele também afirmou que iniciaria “sem demora” o processo de sucessão na instituição, com sede em Frankfurt, “com vistas a uma decisão oportuna do Conselho Europeu”.
Os principais candidatos para sucedê-la seriam o ex-diretor do Banco Central dos Países Baixos, Klaas Knot, e o espanhol Pablo Hernández de Cos, atual diretor do Banco de Compensações Internacionais.
Ao deixar o cargo em fevereiro, Lagarde permite ao presidente em fim de mandato da França, Emmanuel Macron, participar da designação de seu substituto antes das eleições de abril de 2027, nas quais as pesquisas colocam atualmente a Marine Le Pen, de extrema direita, como favorita.
A ex-ministra das Finanças francesa assumiu a direção do BCE em novembro de 2019, depois de liderar o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Na instituição europeia, ela enfrentou uma série de grandes crises, desde a pandemia de covid-19 até a disparada dos preços da energia provocada pela guerra na Ucrânia.
Lagarde declarou que está deixando o cargo antes do previsto para “ter liberdade de palavra, liberdade de expressão e liberdade para me envolver em temas que não dizem respeito à política monetária”, a poucos meses das eleições presidenciais na França.
“Acredito que minha voz e minhas ações podem ser úteis para defender princípios que valorizo”, acrescentou a presidente do BCE. “Sinto que devo dizer essas coisas e não posso fazê-lo a partir da minha função atual”, já que seu mandato a obriga a manter a neutralidade.
Resta saber qual será o próximo passo da dirigente, de 70 anos, uma figura conhecida nas grandes organizações internacionais.
No fim de setembro, ela descartou ser candidata à Presidência francesa, mas eu nome também está entre as personalidades que poderiam assumir a direção do Fórum Econômico Mundial de Davos.
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