Cientistas protegem os oceanos no arquipélago português da Madeira
Na tela do computador do cientista colombiano Juan Mayorga, uma magnífica arraia nada com elegância no fundo do mar das Ilhas Desertas, no arquipélago português da Madeira. “É um bom dia quando vemos animais como este”, comenta Juan Mayorga, sorridente.
“Isso é a proteção do meio ambiente em ação”, acrescenta o engenheiro, que trabalha para o programa “Pristine Seas” (“Mares Prístinos”), da National Geographic Society.
“À medida que protegemos um local, ano após ano, os peixes tornam-se cada vez maiores e produzem cada vez mais filhotes”, explica o colombiano que, assim como cerca de 200 outros cientistas, participa durante todo o mês de outubro de uma grande expedição voltada para conhecer melhor o arquipélago da Madeira, situado em frente à costa do Marrocos.
Na Madeira, as iniciativas de conservação marinha remontam ao início da década de 1970.
Juan Mayorga é responsável por coletar e analisar imagens de vídeo gravadas no fundo do mar, a uma profundidade entre 40 e 50 metros, por câmeras instaladas em estruturas metálicas que contêm iscas para atrair os peixes.
– Linha de frente –
O que mais lhe interessa é comparar os dados coletados na parte sul das Ilhas Desertas, uma zona de proteção marinha integral, com os obtidos na parte norte, onde ainda é permitido um certo tipo de pesca.
A primeira parada do Santa Maria Manuela, um veleiro de quatro mastros e 70 metros de comprimento que serve como embarcação principal da expedição, composta por cerca de quinze embarcações, são as Ilhas Desertas, três ilhotas desabitadas situadas a cerca de 40 quilômetros da ilha da Madeira.
Na maior delas, um maciço rochoso com pouquíssima vegetação que se estende por quase 12 quilômetros e atinge 480 metros de altitude, Rui Seabra, pesquisador da Universidade do Porto, instala sensores de temperatura nas rochas que ficam expostas durante a maré baixa.
Seu objetivo é entender a situação das espécies de crustáceos e esponjas nas áreas ensolaradas e nas sombreadas. “Isso é importante no contexto das mudanças climáticas, pois precisamos saber como a biodiversidade se adaptará” à evolução das temperaturas, explica.
A cerca de 20 metros da costa, a bordo de um bote inflável, uma bióloga marinha coleta amostras de DNA ambiental para detectar espécies de peixes presentes nas águas, mas que escapam ao alcance das câmeras.
“Estamos aqui, na linha de frente da luta real, tentando encontrar soluções que nos permitam resolver os problemas no local”, resume Emanuel Gonçalves, responsável pela expedição e diretor científico da Fundação Oceano Azul, financiada pelo Oceanário de Lisboa.
Enquanto cerca de 200 países se reúnem, a partir desta segunda-feira (19), na Armênia, para debater a proteção da biodiversidade mundial durante a COP17, este biólogo reconhece que as grandes conferências internacionais são “muito importantes” para definir a agenda política.
Mas “a urgência de agir não nos permite esperar por decisões que, por vezes, levam décadas para serem tomadas”, afirma em declarações à AFP.
Além da ilha que dá nome a todo o arquipélago, e onde nasceu Cristiano Ronaldo, a Madeira inclui a ilha de Porto Santo, conhecida por suas praias e hotéis, as Ilhas Desertas e as Ilhas Selvagens, dois grupos de ilhotas situados cerca de 280 quilômetros mais ao sul, em direção ao arquipélago espanhol das Canárias.
tsc/mdm/mab/jvb/aa/fp