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David Hockney, grande figura da arte contemporânea, morre aos 88 anos

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O britânico David Hockney, considerado uma das figuras mais influentes da arte contemporânea, morreu na noite de quinta-feira (11) aos 88 anos. 

Depois de descrevê-lo como “uma das figuras mais importantes da arte contemporânea tanto no século XX como no XXI”, Erica Bolton, diretora da agência que o representava, informou em um comunicado que Hockney “faleceu em paz em sua casa” na quinta-feira, um mês antes de completar 89 anos.

Seu legado envolve pintura, desenho, fotografia, cenografia, arte digital e vidro, sintetizando tradição e inovação sob sua célebre ideia de “a mão, o olho e o coração”.

Figura da pop art dos anos 1960, o artista britânico se destacou pela capacidade de reinvenção constante, dominando primeiro as técnicas acadêmicas antes de apropriar-se das novas tecnologias, com obras elaboradas em iPad depois dos 70 anos.

Em seus últimos anos, trabalhou entre a Normandia (noroeste da França) e Londres, produzindo novas séries digitais e pinturas. O britânico foi tema de importantes exposições internacionais, incluindo a grande retrospectiva de 2025 na Fundação Louis Vuitton, em Paris.

– Uma carreira de sete décadas –

“Sua carreira de sete décadas e sua obra prolífica foram caracterizadas por sua abordagem multimídia na criação de imagens, por uma reflexão intelectual sobre a natureza da representação e da perspectiva, e por um compromisso contínuo em celebrar e retratar o mundo ao seu redor”, afirma o comunicado de sua agente.

Hockney era um dos artistas com obras com as maiores cotações do mundo.

O rei Charles III o descreveu nas redes sociais como um “gigante do mundo da arte” e um homem “realmente único” que “carregava seu gênio com a mesma leveza que seus adorados Crocs amarelos, que alegravam as recepções no palácio”.

Uma de suas obras, ‘Portrait of an Artist (Pool with two figures)’, leiloada por 90,3 milhões de dólares (460 milhões de reais na cotação atual) em 2018 em Nova York, tornou-se na época a obra mais cara de um artista vivo vendida em leilão, recorde posteriormente superado pela escultura do coelho do americano Jeff Koons.

Suas obras mais emblemáticas, com cores ousadas e uma perspectiva singular, entraram para a cultura popular, como ‘A Bigger Splash’ (1967), que representa o respingo na piscina de uma casa de veraneio californiana banhada pelo sol, símbolo de prazer e sensualidade.

Nascido em 9 de julho de 1937 em Bradford (norte da Inglaterra), em uma família humilde, Hockney enfrentou os preconceitos da Inglaterra do pós-guerra, compreendendo muito cedo sua homossexualidade e sua vocação artística.

“Ele deixa o seu parceiro e companheiro de longa data, Jean-Pierre Gonçalves de Lima, o sobrinho-neto Richard, que atuou como assistente de estúdio durante seus últimos anos, os irmãos Philip e John, assim como várias sobrinhas, sobrinhos, sobrinhas-netas e sobrinhos-netos”, recorda Erica Bolton no comunicado.

Hockney, objetor de consciência como o pai, cumpriu o serviço militar como enfermeiro antes de ingressar no renomado Royal College of Art de Londres em 1959.

Sua pintura ‘Doll Boy’ chamou a atenção do marchand John Kasmin, que o convidou para tomar chá quando ele ainda era estudante. Pouco depois de se formar, Hockney realizou sua primeira exposição individual e começou a ganhar notoriedade no mundo da arte.

– A natureza, “fonte de tudo” –

Hockney se estabeleceu na Califórnia em 1964, onde começou a pintar as paisagens luminosas que o transformaram em uma figura da pop art, especialmente graças à sua série de piscinas.

Também viajou pela França, Marrocos, Londres, Nova York e Los Angeles, retratando amigos, familiares e amantes em cenas do cotidiano.

Depois da pintura, explorou o teatro, a gravura e a fotografia, criando nos anos 1980 composições fotográficas múltiplas para superar a visão limitada de uma única imagem.

Nos anos 1990, retornou com frequência ao condado de Yorkshire, sua terra natal, onde redescobriu a paisagem e evoluiu para a pintura de paisagens, com influências do fauvismo, de Cézanne e de Van Gogh.

Mais tarde, adotou tecnologias como a Polaroid, o vídeo e, por fim, o iPad, com o qual realizou numerosas obras expostas internacionalmente.

“A natureza é a fonte de tudo. Minha alegria vem da forma como olho para o mundo”, dizia em 2021. Também afirmava que só retratava pessoas que conhecia bem, razão pela qual recusou pintar a rainha consorte Elizabeth II.

Hockney perdeu a audição a partir dos 40 anos e sofreu um leve acidente vascular cerebral em 2012.

Em 2019, instalou-se na Normandia antes de retornar a Londres em 2023.

psr/avl/fp/aa/am

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