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Esquerda mantém Paris e Marselha em eleições municipais acirradas a um ano das presidenciais

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A esquerda manteve neste domingo (22) Paris e Marselha em eleições municipais disputadas, que também viram a extrema direita e a esquerda radical avançarem em cidades médias, a um ano da eleição presidencial de 2027.

Embora as eleições municipais costumem seguir dinâmicas locais, a apuração permite medir o peso dos partidos antes da eleição presidencial de 2027, para a qual o presidente de centro-direita Emmanuel Macron já não pode se candidatar.

A campanha foi marcada por forte tensão entre os partidos, em um momento em que a França vive uma profunda crise política desde as eleições legislativas antecipadas de 2024, que deixaram três blocos sem maioria: esquerda, centro-direita e extrema direita.

Com Marine Le Pen inelegível, o eurodeputado de extrema direita Jordan Bardella lidera, segundo as pesquisas, a corrida para suceder Macron. As alianças nos outros dois blocos se anunciam decisivas para disputar o segundo turno de 2027 e, nesse sentido, as eleições municipais eram vistas como um teste do equilíbrio de forças.

– “Coração da resistência” –

Em Paris, o deputado socialista Emmanuel Grégoire, aliado a ecologistas e comunistas, venceu com ampla vantagem a ex-ministra conservadora Rachida Dati, candidata da aliança macronista e da direita, que contava com o apoio tácito da extrema direita, segundo as projeções.

“Aos que temem os tempos que virão, digo: não tenham medo (…) Paris será o coração da resistência dessa união das direitas”, afirmou o sucessor de Anne Hidalgo e o terceiro prefeito socialista consecutivo desde 2001.

Grégoire celebrou sua vitória deslocando-se de bicicleta até a prefeitura para receber das mãos de Hidalgo a chave da cidade. Os 12 anos de mandato da prefeita que deixa o cargo foram marcados pela adaptação da cidade às mudanças climáticas.

Isso representa uma importante vitória para a esquerda moderada, que recusou se aliar em Paris com a candidata do partido A França Insubmissa (LFI, esquerda radical), Sophia Chikirou (8,9%), após uma campanha marcada por polêmicas envolvendo o suposto antissemitismo de seu líder, Jean-Luc Mélenchon.

“A provocação desmedida” e “as declarações de tom antissemita” são um “beco sem saída”, avaliou o líder do Partido Socialista, Olivier Faure, que convocou a esquerda a se unir.

– A “esperança” Philippe –

A esquerda também manteve Marselha sob o comando do prefeito em exercício, Benoît Payan, que se beneficiou da retirada no segundo turno do candidato da LFI para evitar uma vitória da extrema direita.

Os socialistas também mantiveram Lille, em aliança com os ecologistas, e tomaram destes últimos Estrasburgo, em coalizão com o centro-direita. Também derrotaram o ex-primeiro-ministro centrista François Bayrou em seu reduto de Pau.

Um dos grandes vencedores no campo de centro-direita foi o ex-primeiro-ministro de Macron, Édouard Philippe, que havia condicionado sua candidatura à eleição presidencial de 2027 à sua reeleição como prefeito de Le Havre. Ele venceu.

“Os moradores de Le Havre sabem que há razões para ter esperança quando todas as pessoas de boa vontade se unem (…) e afastam os extremos”, celebrou Philippe, que tinha como adversários um comunista e um candidato de extrema direita.

– “Avanço” –

A esquerda radical e a extrema direita, no entanto, avançaram no cenário municipal francês, onde os ecologistas perderam cidades que governavam desde a “onda verde” de 2020, como Bordeaux, Estrasburgo, Besançon e Poitiers.

A LFI conquistou, sem surpresas, Roubaix, após ter vencido Saint-Denis, ao norte de Paris, no primeiro turno, mas não conseguiu tirar da direita cidades como Toulouse e Limoges, apesar de contar com o apoio do restante da esquerda.

Seu coordenador nacional, Manuel Bompard, celebrou um “avanço” de sua formação e uma “onda de desalojamento”, em sua opinião, dentro da esquerda, com a derrota anunciada de vários prefeitos socialistas ou ecologistas em exercício.

Bardella comemorou o “maior avanço da história” de seu partido de extrema direita, com vitórias em “dezenas” de localidades, embora tenha fracassado nos objetivos que havia estabelecido, como Marselha, Toulon e Nîmes, na região mediterrânea. Seu aliado Éric Ciotti, no entanto, venceu em Nice.

A participação foi estimada em torno de 57%. A abstenção é a segunda mais alta, depois das eleições de 2020, realizadas em plena pandemia.

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