Suspeito da morte do pai, filho do fundador da Mango paga fiança para evitar prisão
Jonathan Andic, filho do fundador da Mango, pagou nesta terça-feira (19) uma fiança de um milhão de euros (5,8 milhões de reais) para evitar sua prisão preventiva, após passar horas detido como suspeito pela morte de seu pai, Isak Andic, ao cair de uma montanha enquanto passeavam juntos em 2024.
Uma magistrada de Martorell, perto de Barcelona, decidiu decretar prisão preventiva substituível pela elevada fiança, que Andic depositou pouco depois.
Da mesma forma, a juíza determinou como medidas cautelares “a retirada do passaporte, proibição de sair do território e comparecimentos semanais ao juizado”, indicou o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha.
O processo, acrescentou a mesma fonte, “está aberto por crime de homicídio”.
Pouco antes das 17h00 locais (12h00 no horário de Brasília), Jonathan Andic, de 45 anos, deixou o fórum acompanhado por seus advogados e já sem as algemas com as quais havia sido conduzido para depor à polícia horas antes, constatou uma jornalista da AFP.
A investigação sobre a morte de Isak Andic, uma das maiores fortunas da Espanha, sofreu uma reviravolta pela manhã, quando a polícia prendeu seu filho mais velho, que sempre se declarou inocente.
Fontes próximas à família afirmaram estar “absolutamente” convencidas de sua inocência e asseguraram que “não existem provas legítimas contra ele, nem serão encontradas”. Expressaram sua “confiança de que o curso do processo demonstrará isso”.
Izak Andic, de 71 anos, que construiu do zero uma das maiores marcas de moda do mundo, morreu em 14 de dezembro de 2024 após uma queda enquanto caminhava com o filho em uma área montanhosa popular nos arredores de Barcelona.
– “Indícios suficientes” –
Segundo a decisão da juíza encarregada do caso, datada desta terça-feira e à qual a AFP teve acesso, “conclui-se que há indícios suficientes” para pensar que Jonathan Andic matou de forma “premeditada” seu pai e destaca particularmente a “obsessão (do filho) por dinheiro” e sua “má relação”.
A juíza também aponta “contradições” no relato do filho sobre o desenrolar dos acontecimentos no dia da morte do empresário, de 71 anos, em 14 de dezembro de 2024.
Jonathan Andic estava sozinho com o pai no momento da queda fatal, enquanto caminhavam por uma trilha do maciço de Montserrat, nos arredores de Barcelona.
Inicialmente investigado como um acidente, o caso foi arquivado provisoriamente no início de 2025. Meses depois, porém, a Justiça decidiu reabri-lo.
Segundo o laudo pericial, cujo conteúdo é explicado na decisão da juíza, “a queda de (Isak Andic) é como se ele tivesse se lançado por um escorregador, com os pés à frente”.
“Não existem nem serão encontradas provas contra” Jonathan Andic, assegurou à AFP uma porta-voz da família, indicando que ela estava convencida de sua “inocência absoluta”.
“A hipótese de homicídio é incoerente. Mas, acima de tudo, é dolorosa. Estigmatiza um homem inocente. O verdadeiro julgamento começa agora, e a verdade, assim como a inocência, virão plenamente à tona”, destacou o advogado da família, Cristóbal Martell, em uma declaração escrita.
No momento de sua morte, Isak Andic era uma das pessoas mais ricas da Espanha, com uma fortuna estimada pela Forbes em 4,5 bilhões de dólares.
De acordo com o jornal El País, a golfista Estefanía Knuth, companheira de Isak Andic no momento do acidente, havia indicado que ele e seu filho mais velho passaram por períodos de má relação, sem em nenhum momento apontar para a tese de um suposto homicídio.
Após a morte de Andic, Knuth e os três filhos do empresário mantiveram uma disputa pela herança, que terminou com um princípio de acordo após negociações complexas, informou o mesmo jornal.
Atualmente, Jonathan é vice-presidente do Conselho de Administração da Mango, da qual a empresa destaca em seu site que ele “iniciou sua trajetória profissional na companhia em 2005”.
– Empresa de sucesso –
Nascido em Istambul em uma família sefardita, Isak Andic Ermay chegou à Espanha ainda adolescente.
Começou em Barcelona vendendo camisas que trazia da Turquia e, em 1984, abriu sua primeira loja Mango, no Passeig de Gràcia, na capital catalã.
A marca se tornou um dos principais grupos de moda do mundo, contando com mais de 16,4 mil funcionários e 2,9 mil pontos de venda em mais de 120 mercados mundiais, segundo seu site.
Assim como sua rival Inditex, proprietária da Zara e da Bershka, líder mundial da moda de massa, a Mango construiu seu sucesso com base em preços baixos e rápida resposta às tendências da moda.
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