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OMS faz alerta para escala e velocidade da epidemia de ebola

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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um alerta, nesta terça-feira (19), para “a escala e a velocidade” da epidemia de ebola que afeta a República Democrática do Congo (RDC), onde a doença já teria provocado mais de 130 mortes.

O ebola provoca uma febre hemorrágica com alta taxa de mortalidade e causou mais de 15 mil óbitos na África nos últimos 50 anos. No entanto, especialistas ressaltam que é uma doença relativamente menos contagiosa que a covid-19 ou o sarampo, já que não é transmitida pelo ar.

No último domingo, a OMS declarou emergência de saúde pública de importância internacional para enfrentar a epidemia na RDC, um grande país da África Central com mais de 100 milhões de habitantes.

Até o momento, poucas amostras foram analisadas em laboratório e os balanços se baseiam principalmente em casos suspeitos.

O diretor-geral da OMS declarou que está “profundamente preocupado com a escala e a velocidade” da epidemia.

O ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba, informou, nesta terça-feira, que há 136 mortes supostamente relacionadas ao surto e cerca de 543 casos suspeitos.

– “Cheios de casos suspeitos” –

O epicentro da epidemia se encontra em Ituri, uma província no nordeste da RDC, na fronteira com Uganda e o Sudão do Sul.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) disse que tentou enviar os doentes de Ituri para hospitais locais, mas recebeu como resposta: “Estamos cheios de casos suspeitos. Não temos espaço”.

“Isso te dá uma ideia de como a situação está louca neste momento”, declarou a trabalhadora humanitária dos MSF Trish Newport.

No Hospital de Rwampara, um dos focos da epidemia, uma simples fita plástica delimita a área reservada para receber os casos suspeitos.

“Cavamos covas e enterramos os falecidos sem luvas, nem qualquer tipo de proteção. Estamos muito expostos”, relatou à AFP Salama Bamunoba, representante de uma organização juvenil local.

Um responsável hospitalar declarou que até a segunda-feira não havia um local adequado para fazer a triagem e “isolar os casos suspeitos”. 

Anne Ancia, representante da OMS na RDC, afirmou que não acredita que esta epidemia vá terminar em dois meses e lembrou que um surto anterior durou dois anos.

“A extensão da epidemia dependerá da rapidez da nossa resposta”, acrescentou, antes de destacar que toneladas de material, incluindo testes e equipamentos de proteção individual, foram enviadas para a região.

Não há vacina ou tratamento específico para a cepa responsável pelo atual surto, chamada Bundibugyo.

A OMS anunciou, nesta terça-feira, que está avaliando se alguma vacina ou tratamento poderiam ser utilizados contra a variante.

Para tentar conter a propagação, as autoridades trabalham para detectar rapidamente os casos e para limitar os contatos. Também iniciaram uma campanha para incentivar a população a cumprir as medidas de contenção.

O presidente congolês, Felix Tshisekedi, pediu à população que mantenha a “calma” e disse que serão adotadas “todas as medidas necessárias para reforçar a resposta”.

– EUA critica OMS –

O epicentro da epidemia é Ituri, uma província do nordeste da RDC, na fronteira com Uganda e o Sudão do Sul.

A região, rica em ouro, tem deslocamentos intensos da população devido à atividade da mineração. O vírus já se propagou além de Ituri e das fronteiras da RDC.

Kamba explicou que muitas pessoas da comunidade afetada pensavam “que era uma doença mística” e, por isso, “os enfermos não foram levados ao hospital”, o que contribuiu para o aumento dos contágios.

Segundo o ministro, casos suspeitos foram notificados em Butembo, na província de Kivu do Norte, a quase 200 km do foco da epidemia.

Um caso também foi registrado em Goma, uma grande cidade do leste da RDC, capital de Kivu do Norte, que está sob controle do grupo armado antigovernamental M23.

Um caso e uma morte também foram reportados em Uganda, segundo o governo. As vítimas são pessoas que viajaram a partir da RDC, sem que tenha sido identificado algum foco epidêmico local.

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, criticou a OMS, nesta terça-feira, e afirmou que a organização “reagiu um pouco tarde”, em um contexto em que seu país se retirou dessa agência da ONU.

Na segunda-feira, o governo dos Estados Unidos anunciou a implementação de controles sanitários para viajantes que chegam de avião de países afetados pela epidemia. Washington também vai restringir temporariamente a concessão de vistos para estrangeiros que viajaram para as regiões afetadas.

Mas um funcionário do Departamento de Estado disse que Washington permitiria a entrada no país da seleção nacional de futebol da RDC para a Copa do Mundo.

O Bahrein, por sua vez, anunciou uma proibição de entrada por 30 dias para visitantes provenientes da RDC, do Sudão do Sul e de Uganda.

A Alemanha informou que “receberá e tratará” um médico americano que contraiu ebola na República Democrática do Congo.

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