Petroleiro russo se aproxima de Cuba apesar de bloqueio dos EUA
Um petroleiro russo alvo de sanções dos Estados Unidos deve chegar a Cuba na terça-feira (31), apesar de um bloqueio de fato de combustível imposto por Washington à ilha, que enfrenta uma grave escassez de energia.
O Anatoly Kolodkin, que transporta 730.000 barris de petróleo, avançava ao nordeste de Cuba no domingo, segundo a empresa de análise MarineTraffic.
O petroleiro, que navega a 12 nós, tem previsão de chegada ao porto de Matanzas na terça-feira. A estimativa inicial era de chegada nesta segunda-feira (30).
Este seria o primeiro carregamento de petróleo a entrar na ilha desde janeiro e representaria um alívio temporário a um país de 9,6 milhões de habitantes que enfrenta uma crise energética e econômica cada vez mais profunda.
Cuba perdeu seu principal aliado regional e fornecedor de petróleo em janeiro, a Venezuela, quando forças americanas capturaram o presidente Nicolás Maduro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas a qualquer país que enviasse petróleo a Cuba e chegou até a sugerir a possibilidade de “tomar” a ilha.
Contudo, no domingo, Trump disse que não tem nenhum problema com a entrega de petróleo de Moscou a Havana.
“Cuba está acabada, tem um regime ruim, dirigentes muito ruins e corruptos e, consigam ou não um navio de petróleo, não vai importar”, disse Trump à imprensa.
“Eu preferia deixar entrar, seja da Rússia ou de qualquer outro, porque as pessoas precisam de aquecimento, refrigeração e de todas as outras coisas necessárias”, acrescentou o presidente americano.
Jorge Piñón, especialista em energia de Cuba da Universidade de Austin, no Texas, expressou surpresa com o fato de Washington não tentar interceptar o navio russo antes de ele se aproximar tanto da ilha.
“Acho que, a esta altura, as chances de os Estados Unidos tentarem detê-lo praticamente desapareceram”, disse Piñón à AFP.
Com base na declaração de uma fonte do governo americano que pediu anonimato, o jornal The New York Times informou que a Guarda Costeira dos Estados Unidos permitiu o avanço do petroleiro rumo a Cuba.
A Guarda Costeira americana não respondeu a um pedido de comentários da AFP.
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel adotou medidas de emergência, incluindo um rígido racionamento de gasolina.
Os preços dos combustíveis dispararam, o transporte público foi drasticamente reduzido e algumas companhias aéreas suspenderam voos para Cuba. O país sofreu sete apagões nacionais desde o início de 2024, dois deles neste mês.
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