Restauração de ecossistemas alcança recorde de 252 milhões de hectares
Quase 150 países estão conseguindo recuperar 252 milhões de hectares de natureza, um nível sem precedentes, mas ainda insuficiente para cumprir as metas globais até 2030, segundo um relatório das Nações Unidas publicado nesta quinta-feira (29).
“Este relatório registra a maior operação de restauração já documentada”, celebrou Doreen Robinson, diretora adjunta da divisão de ecossistemas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em entrevista coletiva em Nairóbi.
O resultado equivale ao tamanho de um território do tamanho da Argentina ou da Argélia, destacou a ONU.
O relatório foi publicado durante a COP17 sobre biodiversidade, que acontece até o fim de semana na Armênia, onde os Estados tentam corrigir o rumo de seus compromissos na área.
Os esforços de restauração registrados em 149 países envolvem principalmente áreas terrestres, com 232 milhões de hectares, o que representa metade da meta estabelecida para este tipo de ecossistema, segundo a ONU.
Por outro lado, as iniciativas alcançaram apenas 11 milhões de hectares em águas continentais e 5,7 milhões de hectares em águas marinhas e costeiras, de acordo com o relatório.
Este resultado continua “muito distante das metas estabelecidas” para os ecossistemas de água doce e os marinhos e costeiros, que “estão se degradando em um ritmo especialmente rápido”, advertiu a ONU.
Os Estados se comprometeram a empreender esforços para conter a perda de biodiversidade e proteger o planeta no âmbito de uma iniciativa chamada Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021–2030).
O plano contempla um acordo internacional adotado em 2022, denominado Kunming-Montreal, que tem o objetivo de proteger 30% das áreas terrestres e marinhas até o final da década.
O relatório destaca que estas políticas também criaram um milhão de postos de trabalho no setor, com a meta estabelecida de alcançar 32 milhões de empregos até 2030.
O ritmo dos esforços de restauração, no entanto, ainda precisa “triplicar” para alcançar as metas fixadas de um bilhão de hectares, segundo o relatório, que também pede um aumento considerável do financiamento, em particular o privado.
A China está muito à frente das demais regiões em termos de restauração terrestre, com 137 milhões de hectares, seguida por Mongólia, Cazaquistão e Etiópia.
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