The Swiss voice in the world since 1935

Trauma do 7 de outubro empurra muitos jovens israelenses para a direita

afp_tickers

Assim como muitos israelenses que votarão pela primeira vez nas eleições legislativas de 27 de outubro, Amihai ficou marcado pelo ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Agora, ele quer segurança… e vingança.

Após os ataques do movimento islamista palestino, “vou votar apenas com base na segurança, não pelo que vai me ajudar a comprar um apartamento em 10 anos, mas pelo que vai garantir que eu ainda terei vida em 10 anos”, declarou o jovem de 18 anos.

“Quero que os terroristas sofram na prisão, que morram”, acrescentou, sem revelar o sobrenome, durante uma manifestação no sul de Israel a favor da instalação de colônias judaicas na Faixa de Gaza, cujas ruínas ficam a quase dois quilômetros de distância.

Natural de Shomria, Amihai também pede “uma emigração em massa” dos palestinos de seu território, “que seus habitantes morram de vontade de ir embora”.

As teses citadas por Amihai são defendidas pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir. O jovem, com uma camisa com o nome do líder da extrema direita, afirma que votará em seu partido, Otzma Yehudit (Poder Judaico).

 

– Ambiente “muito ultranacionalista” –

Segundo a emissora israelense Canal 12, quase 550.000 israelenses de 18 a 22 anos poderão votar pela primeira vez.

Uma pesquisa recente da emissora mostra que 74% deles se declararam de direita ou centro-direita, contra 67% do conjunto da população.

A tendência contrasta com várias democracias ocidentais, nas quais o eleitorado jovem é mais de esquerda.

Para a analista Dahlia Scheindlin, a guinada dos jovens israelenses à direita começou há quase 20 anos.

“A consciência política de alguém que hoje tenha 18 anos foi moldada sob a era de Benjamin Netanyahu, em um ambiente muito ultranacionalista”, acrescentou. “A paz não está na mente das pessoas”.

“Quando os jovens veem algo que causa tanta dor, que afeta todos como o que aconteceu em 7 de outubro, sentem medo e não acreditam que a paz é possível”, comentou outra jovem eleitora, Gili, de 18 anos.

O ataque do grupo islamista palestino Hamas matou 1.221 pessoas do lado israelense, segundo um balanço da AFP.

Mais de 74.200 palestinos morreram na represália israelense contra Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas. Os números são considerados confiáveis pela ONU.

Gili participou em setembro de um ato do partido de centro-esquerda Os Democratas, em uma praça de Tel Aviv.

“É lógico que todo mundo tenha acabado se inclinando cada vez mais à direita, em direção a posições cada vez mais extremas”, opinou.

 

– “Vencer de forma decisiva” – 

Yishay Neeman, de 19 anos e estudante em uma yeshiva (escola talmúdica), pretende alistar-se em breve em uma unidade de combate do Exército israelense.

O horror do 7 de outubro e as guerras posteriores apenas reforçaram sua determinação de lutar por seu país.

No dia do ataque, ele estava na sinagoga e lembra que passou os últimos anos de internato correndo para os abrigos antiaéreos, à medida que frentes de combate eram abertas contra o Hezbollah libanês, os combatentes houthis do Iêmen e o Irã.

De sua casa em Petah Tikva, no centro do país, explica que não apoia guerras sem fim, mas que Israel “não pode voltar à situação anterior a 7 de outubro”.

“Por isso temos que lutar e vencer de forma decisiva”, acrescentou.

Ele votará no Partido Sionista Religioso do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, outra figura da extrema direita.

Para Neeman, Israel deve anexar a Cisjordânia ocupada e “aniquilar sua esperança de um Estado palestino”.

 

acc/sct/cd/cab/vl/mas/arm/fp

Mais lidos

Os mais discutidos

Preferir a Swissinfo no Google

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR