Trump cancela ataques previstos contra Irã e cita possível acordo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou nesta quinta-feira (11) sua ameaça de lançar novos ataques contra o Irã e afirmou que nos próximos dias será assinado um acordo de paz, embora Teerã tenha desmentido pouco depois ter tomado uma decisão a esse respeito.
Enquanto começava a cerimônia de abertura da Copa do Mundo de Futebol no México, Trump divulgou a notícia de um acordo, o que provocou uma alta nos mercados de ações e uma queda nos preços do petróleo.
“Considerando que as conversas com a República Islâmica do Irã foram examinadas e aprovadas pelas mais altas autoridades iranianas, cancelei (…) os ataques aéreos e os bombardeios que estavam previstos contra o Irã esta noite”, escreveu Trump em sua rede Truth Social.
“A hora e o local da assinatura serão anunciados em breve”, prometeu.
O republicano afirmou que os detalhes do acordo haviam sido aprovados pelos Estados Unidos e seus aliados na região, incluindo Israel, com quem Washington iniciou conjuntamente a guerra em 28 de fevereiro.
Questionado sobre se o líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, havia aprovado o acordo, respondeu aos jornalistas: “Pelo que entendo, a resposta é sim”.
Mas horas depois, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que, “até o momento, o Irã não chegou a uma conclusão definitiva sobre o acordo”.
A agência de notícias Tasnim assinalou que o presidente americano havia anunciado 38 vezes nos dois meses anteriores que o acordo de paz entre as partes era iminente.
“Até que o Irã se pronuncie sobre a possibilidade de um acordo, qualquer notícia de Trump a esse respeito deve ser considerada da mesma forma que suas declarações anteriores”, acrescentou a agência.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou, por sua vez, que Trump lhe prometeu que qualquer acordo de paz incluirá que Teerã se desfaça do urânio enriquecido, assim como o desmantelamento da infraestrutura de mísseis.
O Banco Mundial havia publicado suas previsões de crescimento global. A instituição as reduziu para um nível não visto desde a pandemia de coronavírus devido ao forte impacto da guerra na economia.
– “MUITO DURAMENTE” –
As palavras do presidente fizeram disparar o mercado acionário e provocaram uma queda superior a 3% nos preços do petróleo.
A guerra foi interrompida graças a uma trégua alcançada em abril, embora desde então os esforços para selar um acordo de paz pareçam estagnados.
O prefeito de Teerã disse nesta quinta-feira que o funeral do antigo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, seria adiado para o fim de junho ou início de julho.
A declaração do presidente americano sugeriu que a mediação liderada por aliados dos Estados Unidos, como Paquistão e Catar, havia dado resultado, apesar de ele ter dito horas antes que, na noite de quinta-feira, atacaria o Irã “MUITO DURAMENTE”.
“As conversas e os pontos finais foram aprovados, tanto conceitualmente quanto nos detalhes, por todas as partes envolvidas, incluindo os Estados Unidos, Israel” e seus aliados do Golfo, publicou Trump.
– Partidários da linha dura –
Diante da escalada de ameaças por parte de Washington, o general iraniano Ali Abdollahi advertiu no mesmo dia que, se os Estados Unidos atacassem, “receberão uma resposta mais dura do que antes, e as chamas da guerra, além de gerar insegurança na região, se espalharão e terão um alcance maior”.
Os civis que enfrentavam novos ataques em Teerã mostravam-se pessimistas.
Majid, um farmacêutico de 35 anos, afirmou que as repercussões econômicas dos combates estavam paralisando a vida cotidiana.
“Não sou nem um pouco otimista quanto à conclusão do acordo, porque a distância entre os dois países é grande demais”, disse, atribuindo a falta de avanços a Israel, que também mantém uma frente de combate contra o grupo islamista Hezbollah no Líbano, assim como aos partidários da linha dura em seu próprio país.
O Irã renovou seus alertas sobre o Estreito de Ormuz, uma via marítima vital para o transporte de petróleo e gás que tem mantido praticamente fechada desde o início da guerra, o que agitou os mercados globais de energia.
O novo organismo iraniano encarregado de supervisionar o estreito afirmou que ele “permanecerá fechado até novo aviso”.
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