Colômbia pede verificação internacional por crise na fronteira com Venezuela
A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Maria Angela Holguín, pediu nesta sexta-feira à comunidade internacional para verificar a situação de milhares de colombianos expulsos da Venezuela pela atual crise fronteira, antes da reunião de ministros da Unasul solicitada por Bogotá.
“O que queremos é que venham e olhem o que está acontecendo”, disse Holguín em uma entrevista à emissora de rádio colombiana Blu Radio.
Holguin anunciou que chamará o ministro das Relações Exteriores uruguaio e presidente pro tempore da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Rodolfo Nin Novoa, para que uma missão desta organização testemunhe a crise humanitária na fronteira com a Venezuela, após o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, decretar estado de exceção há uma semana.
“O que podemos fazer é chamar uma missão da Unasul para verificar a situação antes (da reunião de ministros das Relações Exteriores) de 8 de setembro”, indicou a ministra.
A ideia é “não esperar mais 10 dias, enquanto continua essa enxurrada de colombianos assustados, porque a grande maioria diz que está com medo de que derrubem suas casas, porque foram informados de que serão expulsos (da Venezuela)”, acrescentou.
Ela também indicou que quer que o representante na Colômbia do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Todd Howland, “veja o que está acontecendo.”
A tensão diplomática entre Bogotá e Caracas aumentou na quinta-feira, quando o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou que decidiu chamar para consultas seu embaixador em Caracas devido ao comportamento “inaceitável” do governo da Venezuela em relação à crise na fronteira, o que levou Caracas a agir da mesma forma.
Segundo o último boletim oficial, 1.097 colombianos foram deportados da Venezuela desde a sexta-feira, quando entrou em vigor o estado de exceção decretado pelo presidente Nicolás Maduro em um setor da fronteira.
A medida foi motivada, segundo Caracas, por um ataque de desconhecidos contra militares venezuelanos na semana passada, durante uma operação de combate ao contrabando no estado de Táchira, que Maduro atribuiu a “paramilitares colombianos”.
Desde então, as autoridades estimam que entre 5 mil e 6 mil colombianos tenham saído da Venezuela voluntariamente, a maioria cruzando o rio Táchira, fronteira natural entre os dois países.
Já na quinta-feira, o governo colombiano pediu a convocação de reuniões com os chanceleres da Unasul e a Organização de Estados Americanos (OEA) para discutir a questão, pois muitos colombianos denunciaram abusos e irregularidades no momento de serem expulsos.
Até agora não há confirmação de uma data oficial para nenhuma das reuniões solicitadas pela Colômbia, embora Holguín tenha adiantado nesta sexta que a Unasul poderia se reunir em 8 de setembro.
“O que eu acho é que alguém de fora tem que ser capaz de ver a maneira como as coisas estão sendo feitas e o que realmente está acontecendo lá”, especialmente depois de Caracas não deixar entrar na quinta-feira o defensor público da Colômbia, Jorge Otálora, para verificar as denúncias, segundo Holguin.
A chanceler também disse que vários de seus colegas da região telefonaram “preocupados” com a crise na fronteira.