Concentração de gases do efeito estufa atinge recorde em 2025
As concentrações de gases do efeito estufa na atmosfera atingiram níveis máximos históricos em 2025, consolidando impactos climáticos que persistirão durante séculos, alertou nesta terça-feira (27) a ONU.
Os níveis dos três principais gases do efeito estufa — dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso — que contribuem para o aquecimento do planeta atingiram números sem precedentes em 2025, informou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU.
A OMM afirmou que o aumento provocará um incremento adicional das temperaturas globais a longo prazo.
O 22º Boletim Anual sobre Gases do Efeito Estufa da OMM foi publicado antes da COP31 da ONU sobre o clima, que acontecerá de 9 a 20 de novembro em Antália, Turquia.
“Mais um ano, mais um novo recorde”, declarou a secretária-geral adjunta da OMM, Ko Barrett.
Segundo Barrett, os gases do efeito estufa estão retendo uma “quantidade sem precedentes de calor na atmosfera, o que alimenta a intensificação dos fenômenos meteorológicos mais extremos e dos riscos associados para nossas economias e sociedades”.
“Os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados e a tendência vai continuar. O dióxido de carbono (CO2) tem uma vida muito longa e, por isso, afetará o clima global não apenas durante anos, mas durante décadas e até séculos”, alertou.
– Efeito do El Niño –
O boletim analisa as concentrações de gases do efeito estufa, ou seja, a quantidade destes gases presente na atmosfera, e não as novas emissões anuais resultantes do uso de mais carvão, petróleo e gás.
Em 2025, a concentração de dióxido de carbono atingiu 426,8 partes por milhão (ppm); a de metano, 1.948 partes por bilhão; e a de óxido nitroso, 339,1 partes por bilhão.
Os números equivalem, respectivamente, a 153%, 267% e 126% dos níveis pré-industriais registrados antes de 1750.
Os dados “mostram que os níveis de CO2 continuam aumentando em 2026”, afirmou Barrett à imprensa em Genebra.
“Cada ppm adicional importa, porque retém mais calor. Em última análise, estamos sobrecarregando o oceano e a atmosfera”, declarou.
Dos três principais gases de efeito estufa, o CO2 responde por quase 66% do efeito de aquecimento sobre o clima.
Aproximadamente metade do CO2 emitido a cada ano permanece na atmosfera; o restante é absorvido pelos ecossistemas terrestres e pelos oceanos.
Entre 2024 e 2025, a concentração média global de CO2 aumentou em 2,8 ppm, menos que o acréscimo recorde de 3,6 ppm registrado entre 2023 e 2024.
A principal diretora científica da OMM, Oksana Tarasova, afirmou que isso refletiu a “recuperação dos sumidouros de carbono terrestres e a redução das emissões de carbono procedentes de incêndios em 2025, após o forte fenômeno El Niño de 2023-2024”, o fenômeno climático natural que eleva as temperaturas.
Também supera a taxa média de crescimento de 2,6 ppm observada durante a última década, contra 0,8 ppm registrado na década de 1960.
“Podemos esperar um novo aumento das concentrações em 2026 devido à queima de combustíveis fósseis e ao desenvolvimento de um potente fenômeno El Niño que afetará os sumidouros de carbono terrestres, como aconteceu em 2023-2024”, advertiu Tarasova.
– Outros problemas –
O metano representa quase 16% do efeito de aquecimento provocado pelos gases do efeito estufa de longa duração, embora tenha uma vida atmosférica muito mais curta que a do CO2.
Quase um terço do metano liberado na atmosfera procede de fontes naturais, como áreas úmidas, enquanto o restante vem de fontes humanas, como a pecuária, o cultivo de arroz, os aterros sanitários e a queima de biomassa.
O boletim destaca que, à medida que os países transformam seus sistemas energéticos no sentido da descarbonização, mais atenção deve ser atribuída a dois gases potentes, embora menos abundantes, estreitamente ligados à produção e distribuição de energia elétrica: o hidrogênio molecular (H2) e o hexafluoreto de enxofre (SF6).
Utilizado principalmente como supressor de faíscas nas redes de distribuição elétrica, o SF6 aumentou de forma constante ao longo das últimas três décadas.
As razões para o aumento dos níveis de H2 na última década continuam desconhecidas, embora este gás tenha começado a ser utilizado como meio de armazenamento de energia.
“Por que deveríamos nos preocupar? Porque o SF6 tem uma vida atmosférica que pode chegar a 3.200 anos. Seu potencial de aquecimento global é mais de 24.000 vezes superior ao do CO2”, advertiu Barrett.
rjm/apo/rh/ahg/mmy/fp/aa
Ver mais artigos da Swissinfo nos resultados do Google. Saiba mais