Homem mata uma pessoa e deixa 4 feridos ao abrir fogo em área próxima a Paris
Um homem abriu fogo, nesta sexta-feira (23), “com a intenção de provocar uma carnificina” perto de Paris, supostamente contra pessoas de origem imigrante. Deixou um morto e quatro feridos antes de ser detido, anunciaram as autoridades.
A Procuradoria Nacional Antiterrorista (Pnat) abriu uma investigação por “assassinato relacionado a uma ação terrorista”, motivada por “um pertencimento, real ou suposto, a uma determinada raça, etnia, nação ou religião”.
“Nossos pensamentos estão com as vítimas, com suas famílias, assim como com todos os habitantes (…). Neste momento difícil, a Nação permanece ao lado de vocês”, escreveu o presidente francês, Emmanuel Macron, no X.
Os ataques aconteceram por volta das 10h30 locais (05h30 em Brasília) em Trappes e La Verrière, ao sudoeste de Paris, e o homem foi rapidamente detido a poucos quilômetros de distância, na localidade vizinha de Coignères, segundo uma fonte policial.
“Um indivíduo atirou de seu veículo contra várias pessoas que cruzaram seu caminho”, escreveu no Instagram o prefeito de Trappes, Ali Rabeh.
O homem “claramente atirava ao acaso e com vontade de provocar uma carnificina”, em vários bairros da cidade, afirmou o prefeito ao canal BFMTV.
O atirador, que segundo uma fonte próxima ao caso tem 39 anos, disparou rajadas a partir de um carro, confirmou à AFP uma fonte policial.
Uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas, informou o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, sem informar em quais localidades ocorreram os ataques. Entre os feridos há uma menina de 12 anos, cujo prognóstico é estável, informou o prefeito de La Verrière, Nicolas Dainville.
Até o momento não se sabe as motivações dos disparos.
“É um milagre que não tenhamos mais vítimas”, destacou Rabeh, que, apesar de não querer se pronunciar sobre uma eventual motivação racista, afirmou que duas vítimas tinham “um perfil particular”.
“A pessoa falecida é de origem africana e a pessoa em estado crítico é de origem magrebina”, declarou.
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, classificou os ataques como “terroristas”.
– “Coração partido” –
Em Trappes, um cordão policial foi montado ao redor de uma clínica e perto de um parque, constatou um jornalista da AFP.
Samy, um morador do centro da cidade, viu, de sua janela, um corpo estendido no chão. Sua mãe estava na rua, viu um carro Clio cinza “passar em alta velocidade” e ouviu “disparos”, acrescentou.
“Estou com o coração partido e o que me domina é o medo”, declarou outro morador, Adel, de 50 anos, referindo-se ao perfil das vítimas.
“Eu mesmo sou de origem magrebina e (…) dá medo por causa de todas as pessoas que têm esse mesmo perfil na cidade e, Deus sabe, somos muitos”, acrescentou.
Na última década, a França sofreu uma onda de atentados jihadistas, incluindo o massacre executado no coração de Paris em novembro de 2015, que deixou mais de 130 mortos.
Desde o ataque do movimento islamista Hamas em Israel em outubro de 2023 e a guerra israelense em Gaza, os atos antissemitas e antimuçulmanos aumentaram na França, caixa de ressonância do conflito israelense-palestino.
Em 2025, os atos antimuçulmanos cresceram 88%, chegando a 326, em um contexto de avanço da extrema direita.
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