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Irã continuará negociações com Arábia Saudita, Turquia e Paquistão sobre guerra no Oriente Médio

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O chefe de segurança do Irã disse nesta segunda-feira (26) que manteve “conversas muito boas” com os três países membros do pacto de defesa de Meca – Arábia Saudita, Turquia e Paquistão -, após sua primeira reunião em Teerã, a fim de evitar a retomada da guerra no Oriente Médio.

Desde o início do conflito, esta foi a primeira vez que Khalid bin Salman, irmão do príncipe herdeiro saudita que se tornou especialista em missões diplomáticas delicadas, viajou ao Irã.

O encontro aconteceu em um momento em que o Egito autorizou apoio militar a Riade contra os ataques dos houthis do Iêmen e após uma série de advertências israelenses e americanas.

“Ocorreram conversas muito boas entre nós”, declarou Mohsen Rezaei, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, à televisão estatal após se reunir com altos funcionários dos três países.

– “Nova atmosfera” –

“Sinto que está surgindo uma nova atmosfera na região… Percebi um clima muito positivo nas conversas”, acrescentou.

O Irã e os três países que integram o pacto de defesa de Meca “concordaram em prosseguir os contatos a fim de fortalecer a cooperação (…), especialmente em matéria de paz e segurança na região”, informou o canal estatal iraniano.

Pela primeira vez desde o início do conflito, o ministro da Defesa saudita, Khalid bin Salman, viajou ao Irã. 

O irmão do príncipe herdeiro saudita foi acompanhado por funcionários da Turquia e do Paquistão, seus aliados no âmbito do pacto de Meca, mas também mediadores regionais no conflito. 

Organizada por iniciativa de Islamabad, a reunião quadripartite é parte dos esforços para “reduzir a tensão entre as partes envolvidas na crise atual”, segundo um comunicado da Chancelaria saudita. 

O encontro se concentrou na “cooperação regional, na agressão israelense-americana contra o Irã e em suas consequências”, informou a televisão estatal iraniana. 

Essas conversas acontecem após os alertas dos Estados Unidos, do Irã e de Israel de que as hostilidades na guerra iniciada no fim de fevereiro podem ser retomadas. 

O reino saudita, maior exportador mundial de petróleo, enfrentou nas últimas semanas uma onda de bombardeios em seu território realizados pelos houthis do Iêmen, aliados de Teerã, incluindo um ataque que deixou 13 mortos no aeroporto internacional de Riade. 

As tensões regionais se intensificaram às vésperas das decisivas eleições em Israel, na terça-feira, e das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em 3 de novembro, nas quais o presidente Donald Trump disputa o controle das casas do Congresso. 

Diante do início das negociações em Teerã, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que era “essencial impedir qualquer escalada” na região.

– “Cérebro estratégico” –

Novas explosões abalaram Riade no domingo, depois que os houthis reivindicaram um novo ataque contra o aeroporto internacional de Riade no domingo. 

A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita anunciou nesta segunda-feira que interceptou três drones na região de Riade e no sul do reino, sem especificar sua procedência.

Em resposta a semanas de ataques, o Parlamento egípcio aprovou o pedido do presidente Abdel Fattah al-Sisi para autorizar apoio militar defensivo à Arábia Saudita “caso seja solicitado”. 

O Egito tem o maior exército do mundo árabe, com centenas de milhares de militares na ativa, aviões de combate e sistemas de defesa aérea provenientes de países como Estados Unidos, China, França e Rússia. Não ficou claro que tipo de apoio estava sendo oferecido. 

Os esforços de mediação entre Washington e Teerã têm sido liderados pelo Catar e pelo Paquistão. Uma delegação do Catar visitou a capital iraniana no domingo, informou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei. 

Andreas Krieg, da consultoria de risco MENA Analytica, afirmou que a presença do príncipe Khalid em Teerã era “muitíssimo significativa” e o descreveu como o “cérebro estratégico da Arábia Saudita”.

– “Não nos testem” –

Os comentários recentes alimentaram as especulações sobre um possível recrudescimento do conflito. 

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou no domingo que “se falou de uma nova guerra”, mas que as políticas de Teerã continuam sendo as mesmas. 

No domingo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que o Irã poderia tentar perturbar as eleições israelenses, nas quais trava uma disputa acirrada para se manter no poder. 

“Não nos testem. Sofrerão golpes desproporcionais”, acrescentou Netanyahu, que concentrou boa parte de sua campanha em suas credenciais na área de segurança.

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