Israel encerra ofensiva em Gaza e palestinos começam a voltar para casa
Israel anunciou, nesta sexta-feira (10), a entrada em vigor de um cessar-fogo na Faixa de Gaza, após um acordo com o Hamas, e dezenas de milhares de palestinos começaram a voltar para casa, em meio a ruínas.
Fechada após dois anos de conflito, a primeira fase do acordo prevê a libertação dos reféns mantidos na Faixa de Gaza em um prazo de 72 horas.
Com o estabelecimento do cessar-fogo, dezenas de milhares de palestinos deslocados iniciaram o périplo de sul a norte da Faixa de Gaza para retornarem a suas casas.
Outros voltaram para Khan Yunis, no sul, e encontraram seus lares totalmente destruídos, segundo imagens registradas pela AFP.
Israel lançou uma ofensiva terrestre e aérea especialmente intensa nas últimas semanas para tomar a Cidade de Gaza, o maior núcleo urbano do território palestino.
A Defesa Civil da Faixa informou que começou a retirar corpos dos escombros.
“Desde a entrada em vigor do cessar-fogo no território palestino, foram encontrados 63 corpos nas ruas de Gaza”, disse Mahmoud Bassal, porta-voz dessa agência de socorristas, que atua sob a autoridade do governo do Hamas.
O Exército israelense também anunciou que suas tropas começaram a se posicionar ao longo das “linhas de retirada, em preparação do acordo de cessar-fogo”.
Segundo o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, o Pentágono “confirmou que o Exército de Israel concluiu a primeira fase da sua retirada para a linha amarela”. “O período de 72 horas para a libertação de reféns começou”, disse.
Ante os avanços, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu assegurou que espera que o seu país possa celebrar “um dia de alegria nacional” na noite de segunda-feira com “a volta de todos os reféns”.
O presidente americano Donald Trump, artífice do plano que serviu de base para as negociações, mostrou-se confiante de que a trégua “será mantida”. “Eles estão cansados de lutar”, comentou.
Trump confirmou que planeja viajar neste fim de semana a Israel e Egito, país que também atuou como mediador junto com Catar e Turquia.
– ‘Esperamos que a guerra termine de uma vez’ –
O porta-voz da Defesa Civil da Faixa de Gaza afirmou que cerca de 200 mil pessoas retornaram para o norte do território nesta sexta-feira.
Ameer Abu Iyadeh, um deslocado de 32 anos, contou à AFP em Khan Yunis que este retorno está “repleto de feridas e dor”.
“Só rezo para que [minha casa] não tenha sido destruída […] Apenas esperamos que a guerra termine de uma vez por todas”, disse Mohammed Mortaja, de 39 anos, enquanto se dirigia para a Cidade de Gaza.
O acordo fechado na quinta-feira entre Israel e Hamas, em uma negociação indireta no Egito, se baseia na proposta de 20 pontos anunciada no fim de setembro pelo presidente americano.
O pacto busca pôr fim a dois anos de guerra na Faixa de Gaza, um conflito que começou com o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 em território israelense, que resultou na morte de 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo um levantamento da AFP feito com base em dados oficiais.
O acordo estipula o retorno a Israel de todos os reféns mantidos em Gaza desde o ataque. Segundo Netanyahu, dos 48 reféns que permanecem detidos em Gaza, 20 estão vivos e 28 morreram.
A família de Alon Ohel, um dos cativos, declarou que todos estão “tomados pela emoção” e esperam ansiosamente pelo seu retorno.
– Questões pendentes –
Como parte do acordo, Israel deve libertar 250 detidos por razões de segurança e outros 1.700 palestinos presos pelas forças israelenses desde outubro de 2023.
Na lista que Israel divulgou nesta sexta-feira dos 250 prisioneiros que poderiam ser trocados, não aparece nenhuma das figuras emblemáticas da luta armada palestina.
Apesar das celebrações em Israel e na Faixa de Gaza, restam muitos assuntos a resolver, entre eles o desarmamento do Hamas e a proposta de uma autoridade de transição para o território palestino liderada por Trump, que fazem parte do plano proposto pelo presidente dos Estados Unidos.
O líder do Hamas Osama Hamdan disse à rede de TV do Catar Al-Araby que o movimento islamita rejeita essa autoridade de transição.
Em resposta ao ataque do Hamas em 2023, Israel lançou uma ofensiva que já deixou ao menos 67.194 mortos em Gaza, segundo os números do Ministério da Saúde do governo do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
O cerco israelense à Faixa de Gaza causou uma situação de fome em partes do território, segundo a ONU. Israel nega essa acusação.
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