Lula e Bolsonaro se enfrentam no último debate antes do segundo turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu rival conservador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentam, nesta sexta-feira (23), em um último debate na televisão para tentar convencer os indecisos, dois dias antes de um segundo turno muito acirrado.
O filho do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro ficou à frente no primeiro turno há quase três semanas, com 47% dos votos contra 45% para Lula.
A vitória inesperada reacendeu uma campanha até então apagada.
A esquerda foi para as ruas e se mobilizou contra o domínio da direita nas redes sociais. O canal de Whatsapp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (REDE-MG), tem 8,8 milhões de seguidores até o momento.
O presidente, de quase 81 anos, busca a “virada”, algo inédito em um segundo turno presidencial.
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, estabelece alianças e diz que está confiante em somar o Brasil à onda conservadora na América Latina.
Uma pesquisa do instituto Datafolha, publicada na quinta-feira, mostrou um empate, com 50% das intenções de voto para cada um. Duas semanas atrás, Flávio Bolsonaro estava quatro pontos à frente de Lula.
“Lula está enfrentando uma subida íngreme, mas ainda não desferiu um golpe decisivo. O debate pode ser sua última oportunidade”, declarou à AFP o cientista político Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium.
O debate na TV Globo será o segundo encontro presencial dos candidatos, após o duro debate do último domingo na TV Band, quando os dois trocaram insultos.
“No debate voltou a ‘quinta série’, uma coisa absurda”, disse à AFP Lizie Moreira, dentista de 60 anos no Rio de Janeiro. Ela votará em Bolsonaro como forma de punir o que chama de “populismo” de Lula.
– “Fake news” –
O grupo Globo anunciou que vai limitar a circulação dos candidatos no estúdio, depois que, no primeiro debate na Band, Flávio Bolsonaro apareceu com frequência atrás de Lula, balançando a cabeça em sinal de negação enquanto o presidente falava.
Um abaixo-assinado online, que já reúne mais de um milhão de assinaturas, pediu ainda que a emissora faça uma checagem em tempo real durante o debate para corrigir qualquer afirmação falsa.
Durante um comício em Fortaleza, Bolsonaro denunciou “um monte de fake news”, especialmente sobre a sua suposta intenção de acabar com programas sociais para cumprir a promessa de cortes orçamentários.
Para “aposentar Lula”, ele promete linha dura contra a violência e um alívio no custo de vida.
O presidente respondeu que “mudar não é subtrair os direitos do povo”.
“Lula representa tudo o que eu sou. Sou pobre, sou estudante e dependo de uma bolsa para ir à universidade”, declarou Gabriela Ferreira, de 22 anos, durante uma manifestação em Belo Horizonte.
O ex-líder sindical, que busca um quarto mandato não consecutivo, apresenta-se como defensor da “democracia” e aposta em grande medida na rejeição ao retorno da família Bolsonaro ao poder.
Após sua fracassada tentativa de reeleição em 2022, Jair Bolsonaro tentou impedir a posse de Lula. Ele foi condenado a uma pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe e cumpre a sentença em prisão domiciliar.
– Batalha judicial –
A disputa também acontece na Justiça. Os dois candidatos recorreram nesta semana ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a cassação da candidatura do adversário por acusações de supostas manobras ilegítimas nas plataformas.
A campanha de Lula acusa a Meta, dona do Facebook, Instagram e WhastApp, de “interferência” em benefício de Bolsonaro por meio de uma suposta “manipulação algorítmica”.
A empresa nega as acusações, mas reconheceu “problemas técnicos” que não afetam apenas o Brasil.
Lula defendeu, na quinta-feira, “derrotar o império digital” da Meta, que “já enganou muito” os usuários. “Agora vai ter que se enquadrar nos bons costumes”, disse ele em uma transmissão ao vivo.
Na quinta-feira, um ministro do TSE deu 24 horas à Meta e ao X para que expliquem quais critérios utilizam para distribuir conteúdos e anúncios políticos, e como empregam a inteligência artificial.
O Comitê de Supervisão da Meta, um órgão independente, manifestou nesta semana sua preocupação com “falhas recorrentes” relacionadas às eleições no Brasil.
Bolsonaro, por sua vez, denunciou Lula por “abuso de poder”, sob a acusação de ter divulgado atos de governo em plena campanha, por meio de uma conta oficial no WhatsApp.
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