Sequestrador de ônibus em rodoviária do Rio se entrega e reféns são libertados
Um homem que feriu duas pessoas e fez reféns 16 passageiros de um ônibus na rodoviária Novo Rio, a principal da cidade, se entregou depois de três horas de sequestro, informou a polícia nesta terça-feira (12).
“O tomador de reféns se entregou à Polícia Militar, ele está preso, todos os reféns foram libertados seguros”, disse a jornalistas o coronel da PM Marco Andrade do lado de fora da Novo Rio, na região central da cidade.
Inicialmente, acreditava-se que 17 pessoas estavam sob a ameaça do sequestrador, um número ratificado para 16 pela Polícia Militar (PM) mais tarde.
Um dos feridos se encontra em estado grave, segundo as autoridades.
Imagens exibidas pela TV Globo mostraram policiais levando para uma viatura um indivíduo jovem de cabelos curtos, vestindo camiseta rosada colorida, short verde.
As mesmas imagens exibiram vários passageiros descendo do ônibus, incluindo uma moça com um bebê nos braços.
Os passageiros libertados “foram avaliados por nossos médicos nas ambulâncias para verificar se tinham algum tipo de lesão, mas todos se encontram bem”, declarou o porta-voz do Corpo de Bombeiros do Rio, Fábio Contreiras.
Durante a ocorrência, o terminal Novo Rio foi isolado e agentes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar) negociaram durante horas com o indivíduo.
O incidente começou às 15h, quando “um homem atingiu duas pessoas por disparos de arma de fogo e faz outros passageiros reféns em um ônibus na Rodoviária do Rio, no Santo Cristo”, bairro da região central da cidade, informou a polícia no começo da tarde.
– ‘Começou a atirar’ –
De acordo com as últimas apurações, o homem tentava “fugir” do Rio por “problemas com sua facção” criminosa, detalhou o secretário da Polícia Militar do estado, Luiz Henrique Marinho, à TV Globo.
“Em algum momento ele dentro do ônibus se sentiu ameaçado por […] uma pessoa ou um grupo. E aí foi quando ele efetuou os disparos”, acrescentou.
O governador do Rio, Claudio Castro (PL-RJ), elogiou na rede social X a atuação “exemplar” da polícia para pôr fim ao sequestro.
No total, 16 pessoas foram mantidas reféns, entre elas uma criança e seis idosos, explicou o coronel Andrade.
Um dos feridos, “um homem de 34 anos, sofreu duas perfurações” no tórax e no abdômen” e se encontra hospitalizado “em estado grave” no hospital municipal Souza Aguiar, também no Centro do Rio, disse o secretário de Saúde da Prefeitura, Daniel Soranz (PSD-RJ).
O outro ferido com menos gravidade foi levado para outra unidade hospitalar, explicou.
– Rodoviária evacuada e fechada –
Jornalistas da AFP constaram uma intensa mobilização policial do lado de fora do terminal, que foi evacuado e fechado.
Imagens da televisão mostraram um ônibus azul parado em meio a um estacionamento vazio.
Centenas de passageiros se amontoavam do lado de fora da rodoviária, enquanto as negociações estavam em curso.
Maely Reis, uma jovem de 25 anos que esperava para viajar à Bahia, lamentou a escassez de informação que os viajantes receberam no terminal e classificou o ocorrido como “bizarro”.
“Todo mundo passa por coisas difícil, todo mundo tem situações difíceis, entendeu? Mas […] é por isso que eu vou sair sequestrando o ônibus, atirando em pessoas que não têm nada a ver com minha vida e atrapalhando a vida de milhares de pessoas?”, disse à AFP.
Da Novo Rio saem ônibus para várias regiões do país, e passam por ali 38 mil pessoas diariamente.
Sequestros de ônibus têm precedentes no Rio.
Em 2019, um homem manteve reféns passageiros de um ônibus por quase quatro horas na ponte Rio-Niterói, antes de ser morto por atiradores de elite da polícia.
Em agosto de 2011, outro sequestro no Centro da cidade deixou três feridos.
O caso mais grave ocorreu em junho de 2000, quando uma refém foi assassinada e o sequestrador morreu após ser capturado pelas autoridades. O fato inspirou o filme “Ônibus 174”, em alusão ao número da linha urbana em que o crime ocorreu.
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